Segunda fase da Operação Velatus, deflagrada pelo Gaeco, na manhã desta terça-feira (9), foi de grande porte, em Terenos e Campo Grande. A investida teve prisão do prefeito Henrique Budke (PSDB) e mais 69 mandados.
A autorização dos mandados de busca e apreensão foi dada pelo desembargador do TJMS, Jairo Roberto Quadros, relator da ação na Corte. O detalhe é que a residência do gestor foi vasculhada, assim como o gabinete dele na prefeitura.
Conforme apurado pelo jornal TopMídiaNews, a movimentação de advogados já era grande minutos após as viaturas do Gaeco e do Choque começaram as buscas na cidade. Empresários, servidores públicos e – principalmente construtoras foram os alvos do grupamento do MPMS.
A determinação era recolher anotações, agendas, dispositivos como pen drive, celulares e computadores dos envolvidos. Também foi ordenada a apreensão de dinheiro – nacional ou estrangeira – no valor acima de R$ 2 mil.
Prisão decretada
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul decretou a prisão preventiva de 16 pessoas acusadas de integrar a organização criminosa comandada pelo prefeito de Terenos, Henrique Wancura Budke (PSDB). O tucano é acusado de causar prejuízos que superam R$ 15 milhões ao município. O esquema foi descoberto com o aprofundamento da operação deflagrada em agosto do ano passado.
Com o avanço das investigações, o MPE chegou ao prefeito de Terenos. “A investigação constatou a existência de organização criminosa voltada à prática de crimes contra a administração pública instalada no município de Terenos, com núcleos de atuação bem definidos, liderada por um agente político, que atuava como principal articulador do esquema criminoso”, informou a procuradoria.
“A organização criminosa se valia de servidores públicos corrompidos para fraudar o caráter competitivo de licitações públicas, direcionando os respectivos certames para beneficiar empresas participantes do esquema delituoso, mediante a elaboração de editais moldados e por meio de simulação de competição legítima, em contratos que, somente no último ano, ultrapassaram a casa dos R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais)”, destacou.
“O esquema envolvia também o pagamento de propina aos agentes públicos que, em típico ato de ofício, atestavam falsamente o recebimento de produtos e de serviços, como ainda aceleravam os trâmites administrativos necessários aos pagamentos de notas fiscais decorrentes de contratos firmados entre os empresários e o poder público”, relatou.
A quebra do sigilo telemático ajudou os promotores a delinear o esquema de corrupção comandado por Henrique Wancura. O cumprimento dos mandados de prisão e de busca e apreensão contou com o apoio dos batalhões de Choque de Operações Especiais (BOPE).
“’Spotless’ – termo que dá nome à operação, é uma referência à necessidade de os processos de contratação por parte da Administração Pública serem realizados sem machas ou máculas”, explicou o MPE.
A prefeitura de Terenos confirmou a operação em nota.
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