Mato Grosso do Sul é destaque nacional na produção agrícola, especialmente na soja e milho, com uma média anual superior a 22 milhões de toneladas nos últimos cinco anos. No entanto, um estudo recente mostra que a capacidade de armazenamento dos grãos no estado está aquém do necessário, um cenário preocupante para a competitividade do agronegócio local e para os produtores das principais regiões.
Cidades sob pressão por infraestrutura
Na análise detalhada por município, as cidades de Rio Brilhante, Maracaju, Dourados, Sidrolândia, Jardim e Nioaque apresentam desafios logísticos importantes com relação ao armazenamento de grãos. Maracaju, o maior produtor do estado, enfrenta um déficit de capacidade de armazenamento superior a 1,3 milhão de toneladas, enquanto Rio Brilhante tem uma defasagem de mais de 620 mil toneladas. Já Sidrolândia, apesar de possuir uma capacidade relativamente elevada, enfrenta um déficit de aproximadamente 140 mil toneladas. Jardim e Nioaque, municípios menores, também revelam falta significativa de depósitos, com déficits ao redor de 100 mil toneladas cada.
No contrapeso, Dourados é o município com a maior capacidade instalada de armazenamento, superando os 2,3 milhões de toneladas, o que representa um importante polo logístico, mas que ainda assim não é suficiente para suprir toda a demanda regional. A concentração da capacidade de armazenamento está bastante concentrada, com os cinco maiores polos detendo quase metade da capacidade total, enquanto muitas outras regiões produtivas enfrentam escassez.
Impactos e desafios logísticos
O déficit estadual total ultrapassa 11 milhões de toneladas, conforme a recomendação da FAO, que estabelece como ideal uma capacidade 20% maior que a produção anual para permitir flexibilidade operacional. O estudo evidencia que o ritmo de expansão da infraestrutura não acompanha o crescimento acelerado da produção agrícola, acentuando gargalos que elevam os custos logísticos e pressionam a rentabilidade dos produtores.
Para municípios como os citados, a falta de capacidade de armazenamento implica em necessidade de escoar a safra rapidamente, comprimindo preços e aumentando os custos com transporte até centros de armazenagem mais distantes. A concentração da malha rodoviária no estado, principalmente nos corredores BR-163 e BR-262, acentua os gargalos, enquanto projetos de expansão ferroviária e hidroviária são vistos como fundamentais para diversificar o modal de escoamento e aliviar a pressão.
Perspectivas e necessidade de investimentos
O estudo alerta para a importância de investimentos estratégicos destinados a ampliar a capacidade instalada, especialmente em municípios com déficit elevado como Maracaju, Rio Brilhante, e Sidrolândia. A melhoria da infraestrutura de armazenagem, integrada aos projetos logísticos em curso — como a Rota Bioceânica, Nova Ferroeste e a hidrovia do Rio Paraguai — poderá aumentar a competitividade do agronegócio sul-mato-grossense, reduzindo perdas pós-colheita e custos de transporte.
Para municípios menores como Jardim e Nioaque, a expansão da estrutura de armazenagem poderá garantir maior autonomia e facilitar o escoamento da produção local, fortalecendo a economia regional.
Esse diagnóstico mostra que a capacidade de armazenagem em Mato Grosso do Sul, apesar de robusta em algumas áreas, exige reforço e capilaridade para acompanhar o crescimento contínuo das safras e garantir o desenvolvimento sustentável do setor agrícola no estado.
Deixe um comentário