O mês de outubro trouxe cenários distintos para os custos de produção de proteínas animais no Brasil. Segundo levantamento divulgado pela Embrapa Suínos e Aves, por meio da Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS), os dois maiores estados produtores do Sul apresentaram comportamentos opostos, refletindo diretamente a dependência logística dos insumos.
Para o produtor de Mato Grosso do Sul, a realidade se alinha mais ao cenário de alívio nos custos, graças à proximidade com a produção de grãos, blindando o estado das altas verificadas em regiões que dependem de frete para o milho.
A Alta em Santa Catarina
Em Santa Catarina, referência nacional na suinocultura, o custo de produção do quilo do suíno vivo subiu para R$ 6,35 em outubro, uma alta de 1,09% frente a setembro. O aumento foi impulsionado pela nutrição: a ração, que compõe mais de 70% dos gastos na granja, ficou 1,28% mais cara no estado.
No acumulado de 2025, o suinocultor catarinense já absorveu um aumento de 2,23% nos custos operacionais.
Paraná e a Queda nos Custos
Em contrapartida, o Paraná — que possui maior disponibilidade interna de grãos em relação a SC — viu seus custos recuarem. Na avicultura de corte, o custo do quilo do frango caiu para R$ 4,55 (baixa de 1,71% no mês). A ração no estado vizinho ficou 3,01% mais barata, aliviando o caixa do avicultor.
A Realidade em Mato Grosso do Sul

Embora a CIAS utilize SC e PR como referências principais para os índices ICP, a análise de mercado aponta que o Mato Grosso do Sul ocupa uma posição privilegiada neste cenário de final de ano.
Enquanto o custo em SC supera os R$ 6,30, estimativas de mercado indicam que o custo de produção do suíno em MS orbita na faixa de R$ 5,50 a R$ 5,80. A diferença é explicada pelo “fator grão”:
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Milho na Porta: Com a produção local de milho (safrinha), o suinocultor e avicultor sul-mato-grossense não paga o ágio do frete interestadual que onera o produtor catarinense.
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Preço da Saca: Em outubro e novembro, enquanto a saca de milho ultrapassava R$ 64,00 no Sul, praças como Maracaju e São Gabriel do Oeste negociavam o insumo entre R$ 54,00 e R$ 55,00.
Segundo dados da Famasul e do CEPEA, mesmo com desafios climáticos pontuais na segunda safra, a oferta de milho no estado tem sido suficiente para manter os custos de nutrição — o grande vilão da atividade — sob controle.
Perspectiva para o Produtor
A combinação de custos controlados (semelhantes à tendência de queda do Paraná) e um mercado de exportação aquecido coloca a suinocultura e avicultura de MS em uma zona de rentabilidade positiva. Diferente de seus pares em Santa Catarina, que veem a margem apertar pela alta dos insumos, o produtor do Centro-Oeste entra em dezembro com um respiro financeiro maior para planejar o ciclo de 2026.
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