Delator de esquema de corrupção em Sidrolândia, o advogado Milton Matheus Paiva Matos pediu à Justiça o fim das medidas cautelares ainda vigentes contra ele como recolhimento domiciliar noturno (após 22h) e proibição de dormir fora da comarca do interior.
Matos é o segundo delator do esquema chefiado por Claudinho Serra (PSDB). Ele relatou vários crimes ao Gaeco contra grupo que envolve ex-secretários e até vereadores.
Em seu pedido, o advogado argumenta que cumpriu 169 dias (mais de 5 meses) de tornozeleira eletrônica e outras medidas sem violar nenhuma delas.
Para convencer o juiz, Milton cita que atua como advogado regularmente e que necessita viajar para trabalhar, além do fato de estar colaborando com as investigações, já que possui acordo de colaboração premiada homologada pela Justiça ainda vigente.
Milton era proprietário da 3M Produtos e Serviços LTDA, que teve o montante de R$ 532.735,60 bloqueados.
A primeira delação é do ex-chefe de licitações de Sidrolândia, Thiago Basso da Silva.
Acusado de fraudar compra de carne para indígenas
A apuração do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) apontou que Milton Paiva e o ex-chefe de compras de Sidrolândia, Tiago Basso, teriam articulado a emissão de notas fiscais para compra de carne para indígenas e os respectivos pagamentos, para fins pessoais e de terceiro, por meio da Prefeitura Municipal e da Fundação Municipal Indígena.
Na divisão de tarefas, o advogado Milton Paiva ficaria responsável pela gestão dos recursos vindos da Prefeitura para a Fundação Indígena, mesmo não tendo vínculo com a municipalidade, enquanto o servidor Tiago Basso seria o responsável pela arrecadação e pelo gerenciamento da propina.
Dados extraídos do celular de Milton Matos mostram uma planilha nomeada como “Financeiro” que faz menção em duas abas (Josimar, Claudinho) a valores que seriam destinados a Claudinho Serra e Tiago Basso da Silva.
Conforme investigação do MP, o grupo teria usado a empresa SH Informática (Taurus) para fazer o provável desvio de recursos da Fundação Indígena. Em um troca de mensagens, Milton Paiva teria orientado como deveria ser feito o repasse para beneficiar Cláudio Serra Filho.
“O único problema é o Tiago querer ficar passando Taurus pro Cláudio através do Josimar, da Fundação Indígena, isso aí não dá, né, mas exemplo, hoje tem cinquenta mil, se esses cinquenta mil ficasse quieto lá, todo mês fosse passando dez, passando quinze beleza, rapidão mata”, diz o áudio.
Claudinho Serra comandou esquema de corrupção
O parlamentar atuou como secretário de Fazenda, Tributação e Gestão Estratégica de Sidrolândia e está implicado na 3ª fase da Operação Tromper, deflagrada em abril de 2024.
Claudinho Serra e outros 22 viraram réus, em 19 de abril, após o juiz da Vara Criminal de Sidrolândia, Fernando Moreira Freitas da Silva, aceitar a denúncia apresentada pelo MPMS.
Assim, investigações do Gecoc e delação premiada do ex-servidor Tiago Basso da Silva apontam supostas fraudes em diferentes setores da Prefeitura de Sidrolândia, como no Cemitério Municipal, na Fundação Indígena, abastecimento da frota de veículos e repasses para Serra feitos por empresários.
Entretanto, os valores variaram de 10% a 30% do valor do contrato, a depender do tipo de “mesada”.
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