O cenário para o agronegócio sul-mato-grossense nestas últimas 72 horas parece o roteiro de um filme de suspense. De um lado, mísseis atingindo refinarias e navios petroleiros no Golfo Pérsico; do outro, uma queda de braço política em Brasília que tenta evitar o colapso do frete e da colheita em pleno pico da safra de soja.
O “X” da Questão: De onde vem a crise?
O bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, no Irã, travou o fluxo de 20% do petróleo mundial. Como o Brasil ainda importa cerca de 25% do diesel que consome, o impacto foi imediato: em Sidrolândia, o preço do bico da bomba chegou a flertar com os R$ 9,00 nos últimos dias, com relatos graves de distribuidoras cancelando entregas programadas por “falta de produto”.
A Resposta do Governo: O Pacote de 30 Bilhões
Pressionado pela Aprosoja Brasil e pela Famasul, o presidente Lula assinou a Medida Provisória 1.340/2026. O objetivo é forçar uma redução de R$ 0,64 por litro no diesel.
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O alívio: Foram zerados o PIS e a Cofins (– R$ 0,32) e criada uma subvenção direta do governo (– R$ 0,32).
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A conta: Para financiar isso, foi criado um novo imposto de 12% sobre a exportação de petróleo bruto, taxando o lucro das petroleiras para tentar salvar o frete nacional.
O “Dia D”: A Batalha pelo Biodiesel (B17)
Apesar do corte de impostos, as entidades do agro não estão satisfeitas. A Aprosoja afirma que a solução real é o B17 — aumentar a mistura de biodiesel nacional para 17%, reduzindo a dependência do petróleo estrangeiro.
“Não faz sentido o Brasil queimar dinheiro público em subsídio enquanto temos óleo de soja sobrando para girar nossas máquinas”, afirma o setor em carta aberta.
A decisão final sobre o aumento da mistura foi adiada e está marcada para amanhã, quinta-feira (19/03), em reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
Impacto em Sidrolândia
Para o produtor local, o tempo é o maior inimigo. O atraso na colheita da soja por falta de combustível ou por custos abusivos empurra o plantio do milho safrinha para fora da janela ideal. O risco é de um “efeito dominó”: menos milho plantado agora significa inflação nos alimentos e no trato animal no segundo semestre.
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