Um elemento liga dois esquemas de corrupção que movimentaram Sidrolândia nos últimos tempos: o ex-estagiário do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), Yuri Morais.
Yuri também recebeu propina via Pix — esquema desmontado pela Operação Dirty Pix, em 18 de novembro. Ele teria recebido R$ 10 mil desviado do convênio de R$ 5,4 milhões para compra de equipamentos médicos — valor que também foi recebido por vereadores.
O esquema de propina via Pix seria para conseguir apoio na Câmara Municipal para o Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa. Entretanto, o inquérito não explica qual seria a participação de Yuri na trama — apenas cita que recebeu o valor de uma das envolvidas.
O ex-estagiário não chegou a ser alvo de busca e apreensão do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção).

Repasse de informações sigilosas
Já no esquema que seria chefiado por Claudinho Serra, Yuri teria repassado documentos sigilosos para membros da organização criminosa.
Durante as investigações, foi identificado que o grupo criminoso cooptou um colaborador do Ministério Público, um estagiário da Promotoria de Justiça de Sidrolândia. Mesmo sendo estagiário, o servidor identificado como Yuri Morais tinha acesso aos documentos sigilosos.
Em janeiro de 2023, antes da Operação Tromper, foi instaurado procedimento de investigação pela Promotoria de Justiça de Sidrolândia. Então, as partes foram notificadas e o grupo se articulou para ter acesso ao teor da denúncia.

No entanto, a denúncia era sigilosa. Mesmo assim, Ricardo José Rocamora teria conversado com o advogado Milton Matheus Paiva Matos. Milton enviou foto da página inicial de acesso ao inquérito, avisando que precisava de senha, pois estava sob sigilo.
Primeiros condenados na Tromper
No dia 8 de agosto, o juiz Bruce Henrique dos Santos Bueno Silva sentenciou os primeiros condenados da operação que revelou desvios milionários em contratos no município de Sidrolândia, a 70 km de Campo Grande.
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Na ocasião, cinco empresários e dois servidores municipais foram condenados a 111 anos e 11 meses de prisão por crimes de corrupção, peculato, organização criminosa e também fraude em licitações.
A ação penal dos condenados refere-se à primeira fase da operação, que foi deflagrada em 2023. Ainda cabe recurso e, com exceção de Ueverton, os demais irão aguardar soltos o trânsito em julgado.
Conforme as sentenças aplicadas pelo magistrado, o empresário Ueverton da Silva Macedo, o ‘Frescura’, foi o réu punido com maior condenação. Ele terá de cumprir 37 anos, 10 meses e 8 dias de prisão.
Na sequência, o também empresário Ricardo José Rocamora Alves foi sentenciado a 28 anos, três meses e 20 dias de prisão.
Além deles, tiveram condenações:
- Roberto da Conceição Valençuela, outro empresário: 11 anos e 6 meses de prisão;
- O empresário Odinei Romero de Oliveira: 4 anos, 9 meses e 18 dias de prisão;
- Everton Luiz de Souza Luscero, também empresário: 15 anos e 9 meses de prisão;
- O servidor público Flávio Trajano Aquino dos Santos: 8 anos e 4 meses de prisão;
- César Augusto dos Santos Bertoldo, servidor público: 5 anos, 6 meses e 20 dias de prisão.
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