Governo intensifica vacinação em fronteiras para conter avanço do sarampo / Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Diante do aumento de casos de sarampo nas Américas, especialmente em países vizinhos como a Bolívia, o Ministério da Saúde deu início a uma mobilização para reforçar a vacinação em áreas de fronteira. O Acre foi o primeiro estado brasileiro a realizar o Dia D da campanha, nesta terça-feira (15), com foco na prevenção da reintrodução do vírus no país.
Dos 22 municípios acreanos, sete fazem fronteira com a Bolívia, entre eles, Assis Brasil, Brasileia e Epitaciolândia, onde o risco de circulação do vírus é mais elevado. A ação integra uma estratégia nacional de enfrentamento da doença, que já distribuiu mais de 12 milhões de doses da vacina tríplice viral em 2025. Até agora, cerca de 2,4 milhões foram aplicadas em todo o país.
A campanha no Acre é organizada em três frentes principais. A primeira consiste na intensificação da vacinação com a tríplice viral, priorizando quem está com o esquema vacinal incompleto, além de adolescentes, jovens e estudantes brasileiros que residem na Bolívia e retornam ao Brasil durante o recesso escolar.
A segunda frente é a aplicação de uma dose extra da vacina dupla viral em crianças de 6 a 11 meses e 29 dias, com objetivo de garantir proteção temporária em regiões de maior circulação do vírus. Essa dose não substitui as doses previstas no calendário vacinal infantil, aplicadas aos 12 e 15 meses.
Paralelamente, o Ministério da Saúde e o governo estadual promovem seminários técnicos em Rio Branco e Brasiléia, voltados a profissionais da saúde e gestores municipais. Os encontros tratam da vigilância epidemiológica, diagnóstico laboratorial, resposta rápida a casos suspeitos e articulação com autoridades bolivianas.
Além do Acre, outros estados fronteiriços também irão reforçar a vacinação contra o sarampo. Um Dia D está previsto para o próximo dia 26 de julho em cidades de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia.
Situação do sarampo no Brasil e nas Américas
Embora o Brasil tenha sido recertificado como livre do sarampo em 2024, a vigilância permanece ativa. Em 2025, o país já registrou cinco casos isolados — dois no Rio de Janeiro e um em São Paulo, no Rio Grande do Sul e no Distrito Federal. Como esses casos não geraram transmissão local, não afetam o status de eliminação.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 108 mil casos foram confirmados globalmente até 5 de julho. Nas Américas, a OPAS contabilizou 7.132 infecções e 13 óbitos, com destaque para surtos no Canadá, México e Bolívia, que já notificou 60 casos.
Em apoio ao controle do surto boliviano, o Brasil anunciou a doação de 600 mil doses da vacina ao país vizinho, como parte da política de cooperação internacional em saúde pública.
A vacinação segue sendo a forma mais eficaz de prevenção contra o sarampo, doença altamente contagiosa e que pode ter complicações graves. O Ministério da Saúde reforça a importância da adesão à imunização, especialmente em regiões de maior risco.
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