A valorização das riquezas nativas do Cerrado marcou o 8º Seminário Estadual da Guavira, realizado em Campo Grande, reunindo pesquisadores, produtores, empreendedores e representantes de instituições públicas. O encontro reforçou o papel da guavira como símbolo cultural do Mato Grosso do Sul e sua crescente importância econômica para a agricultura familiar e a indústria local.

O deputado estadual e defensor da causa, Renato Câmara (MDB), destacou que a guavira é mais do que uma planta — é parte da identidade do povo sul-mato-grossense. Segundo ele, eventos como o seminário representam um passo decisivo para transformar o fruto em um produto de valor agregado, com potencial de alcançar o mercado nacional e até internacional. “Juntando a naturalidade da guavira com o potencial econômico, aí nós vamos para outro patamar, é pensar no econômico e pensar na cultura, ao mesmo tempo dando retorno para a nossa gente. A guavira, assim como aconteceu lá com o açaí, uma plantinha lá do Nordeste, a guavira, ela tem esse potencial também de ganhar o território nacional e ganhar o mundo. O que precisamos? Eventos como esse, junto com a UEMS, junto com a Universidade Federal, AGRAER, pensar em alternativas, em técnicas, industrialização, para que ela possa ter uma renda econômica”, enfatizou.

O diretor-presidente da Agraer, Fernando Nascimento, ressaltou que há mais de uma década a instituição vem desenvolvendo pesquisas para domesticar e aprimorar o cultivo da guavira, permitindo que pequenos produtores possam gerar renda de forma sustentável. “A ideia é transformar essa planta nativa em uma cultura produtiva, que possa realmente melhorar a qualidade de vida dos agricultores familiares”, explicou.

A pesquisadora Ana Cristina Ajala Volpe, da Agraer, detalhou os avanços técnicos e os desafios enfrentados no processo de clonagem e seleção de variedades mais produtivas, que garantam frutos de qualidade e colheitas uniformes. Segundo ela, o objetivo é que, em breve, o produtor tenha acesso a mudas padronizadas, facilitando o cultivo em escala comercial.

O reitor da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Laércio Alves de Carvalho, reforçou a importância da união entre universidades e instituições públicas na construção dessa cadeia produtiva. “Cada edição do seminário mostra um crescimento na participação e na visibilidade da guavira. Hoje já temos produtos derivados como pães, biscoitos, geleias e cosméticos, gerando renda e valorizando a produção local”, destacou.

O evento também apresentou iniciativas empreendedoras inspiradas na fruta, como o sabonete de guavira, desenvolvido com extrato natural da folha, e o tempero artesanal criado pela produtora Rosimeire Ferreira Corrêa, de Terenos. “A minha avó sempre fazia chá da guavira para nós, para a gente comer com pão, com torrada. Aí, eu inventei o tempero da guavira. Vai alho, sal e guavira. É muito gostoso num bife de chapa, num frango, numa carne de porco, uma costela assada. E olha, graças a Deus está dando resultado. Já está todo legalizado, com tabela nutricional e selo da agricultura familiar”. explicou.

Além disso, o Viveiro Ecovita apresentou suas mudas nativas em recipientes biodegradáveis, reforçando o compromisso com a sustentabilidade e o reflorestamento.
Mais do que um encontro técnico, o 8º Seminário Estadual da Guavira consolidou a visão de que a fruta símbolo do Mato Grosso do Sul pode ser vetor de desenvolvimento, sustentabilidade e orgulho regional.
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