O empresário Francisco Elivaldo de Sousa, conhecido como Eli Sousa, proprietário do grupo Impacto Mais, foi preso preventivamente em uma operação deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) na manhã desta quarta-feira (21), em Campo Grande. A ação integra um novo desdobramento de investigações sobre suposto esquema de corrupção envolvendo contratos firmados com o município e a Câmara Municipal de Terenos.
Além da prisão, equipes do Gaeco, com apoio de militares do Batalhão de Choque, cumpriram mandados de busca e apreensão na casa e no escritório de Francisco, ambos localizados na mesma rua, no bairro Carandá Bosque. Durante a operação, os agentes deixaram o imóvel carregando malotes que serão analisados pelos investigadores.
Francisco foi conduzido em uma viatura descaracterizada para a Depac-Cepol (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Integrado de Polícia Especializada). O advogado do empresário, Renan Augusto Vieira, afirmou que seu cliente não pretende se manifestar “para não atrapalhar as investigações”.
Além de Francisco, outros três nomes foram confirmados entre os presos:
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Francisco Elivaldo de Sousa (Eli Sousa)
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Antônio Henrique Ocampos Ribeiro
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Walison Macedo Milhome
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Leandro de Souza Ramos
Operações Collusion e Simulatum
Segundo o Ministério Público, as fraudes vêm sendo praticadas desde 2021 e envolvem contratos com a prefeitura e o Legislativo de Terenos. As irregularidades englobam serviços de publicidade, locação de equipamentos e prestações gráficas.
As investigações se dividem em duas frentes:
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Operação Collusion: apura organização criminosa responsável por fraudar licitações de serviços gráficos envolvendo município e Câmara. Ao todo, foram expedidos 6 mandados de prisão e 23 de busca e apreensão.
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Operação Simulatum: investiga corrupção em contratos com a Câmara Municipal para locação de som. Foram 7 mandados de busca e apreensão.
Além de Campo Grande, também houve diligências no município de Rio Negro.
Vínculos societários e esclarecimentos
Francisco é sócio do empresário Urandir Fernandes de Oliveira na empresa BDM Dourado Digital Gestão de Ativos Ltda. Urandir é fundador do ecossistema Dákila e proprietário da Dakila Comunicações, cujas instalações ficam ao lado do imóvel onde ocorreram buscas.
Procurada, a advogada de Dákila, Kézia Miranda, negou qualquer envolvimento do grupo nas investigações e esclareceu que os contratos societários compartilhados com Francisco estão em processo de liquidação. Ela ressaltou que “a BDM Dourado é uma empresa completamente distinta, com atividades e objetos diferentes das operações da Dakila”.
Ainda segundo a defesa, as buscas ocorreram em imóvel vizinho à sede do grupo, “sem qualquer vínculo jurídico, patrimonial ou operacional com o grupo ou seu fundador”, e nenhum integrante do ecossistema é alvo da operação.
Próximos passos
Os materiais apreendidos serão analisados pelo Gaeco. O Ministério Público deve se manifestar nas próximas semanas sobre eventual denúncia e responsabilização dos envolvidos. Até o momento, o teor dos contratos investigados e o valor movimentado pelo esquema não foram divulgados.
Com informações parciais: Midiamax
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