Um levantamento divulgado nesta semana pelo Movimento Profissão Docente revelou que a rede estadual de ensino de Mato Grosso do Sul paga atualmente o maior salário inicial para professores do Brasil. Segundo o estudo, os docentes começam a carreira recebendo cerca de R$ 13 mil, valor que representa 2,7 vezes mais do que o pago na rede estadual com menor remuneração inicial, no Rio de Janeiro, onde o salário é de aproximadamente R$ 4,8 mil — equivalente ao piso nacional do magistério.
A pesquisa, divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo, analisou os salários referentes a 2025 com base em dados oficiais das redes estaduais. Em média, um professor brasileiro inicia a carreira com R$ 6,2 mil, sem considerar gratificações e prêmios. O valor corresponde a cerca de quatro salários mínimos e está acima do piso nacional do magistério, que em 2025 era de R$ 4.868.
Além de liderar o ranking de remuneração inicial, Mato Grosso do Sul também aparece na primeira posição quando se considera o salário ao final da carreira. De acordo com o levantamento, professores da rede estadual podem alcançar até R$ 26,5 mil ao longo da trajetória profissional. Atualmente, a rede estadual sul-mato-grossense conta com cerca de 21 mil docentes.
Já a rede estadual de São Paulo, considerada a maior do país com aproximadamente 200 mil professores, paga cerca de R$ 5,5 mil no início da carreira. Apesar disso, os docentes paulistas têm a segunda maior remuneração final do Brasil, podendo chegar a R$ 14,4 mil.
O estudo também analisou a chamada amplitude remuneratória, que mede a diferença entre o salário inicial e o valor pago ao final da carreira. A média nacional é de 49%. Estados como Tocantins, Amapá, Ceará, São Paulo e Mato Grosso do Sul apresentam amplitudes entre 70% e 100%. Esse intervalo é semelhante ao observado em países com sistemas educacionais considerados de alto desempenho, como Canadá, Luxemburgo, Áustria e Japão.
Por outro lado, há estados onde a progressão salarial ao longo da carreira é mínima. Em Piauí e Santa Catarina, por exemplo, a diferença entre o salário inicial e o final é inferior a 3%, o que indica que a remuneração praticamente não se altera com o tempo de serviço.
De acordo com o coordenador-geral do Movimento Profissão Docente, Haroldo Correa Rocha, salários mais atrativos no início da carreira são um fator importante para atrair profissionais qualificados para o magistério.
Estudos também indicam que o professor exerce grande influência no desempenho escolar dos estudantes. Uma pesquisa conduzida por especialistas da Fundação Getulio Vargas apontou que o docente é responsável por quase 60% do resultado dos alunos no ensino fundamental, superando fatores como infraestrutura das escolas ou o tamanho das turmas.
Em nota, o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) destacou que comparações entre os estados precisam considerar diferenças fiscais, jurídicas e administrativas de cada rede de ensino. A entidade também ressaltou que a valorização dos professores não depende apenas do salário, mas envolve também condições de trabalho, formação continuada e organização da jornada.
O piso salarial nacional do magistério é definido com base no crescimento do valor mínimo investido por aluno no Fundeb, principal fundo de financiamento da educação básica no país. Entre 2009 e 2025, o piso passou de R$ 950 para R$ 4.868, acumulando aumento de 412,4%.
Em 2026, após uma mudança temporária no modelo de reajuste, o piso foi corrigido em 5%, chegando a R$ 5.130,63. A definição de uma regra permanente para os próximos reajustes ainda está em discussão no Congresso Nacional.
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