O cenário político sul-mato-grossense foi sacudido nesta semana pelo vazamento de anotações feitas à mão pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os rascunhos, que detalham a estratégia do Partido Liberal para as eleições de 2026 no estado, expõem um jogo de interesses que envolve desde pedidos de cifras astronômicas até o “escanteamento” de nomes históricos da direita local.
O “Preço” da Retirada: O caso Marcos Pollon
O ponto mais sensível das notas refere-se ao deputado federal Marcos Pollon. Em um dos tópicos, Flávio escreveu: “Pollon (pediu 15 mi p/ não ser candidato)”. A frase sugere que o parlamentar teria condicionado sua desistência de uma candidatura majoritária ao recebimento de recursos do fundo partidário ou de campanha.
A Resposta: Em contato com nossa redação, o deputado Pollon negou categoricamente qualquer negociação financeira. “Não vendo minha lealdade nem minha missão. Isso é fofoca de quem quer desestabilizar a direita em MS”, afirmou o parlamentar, que reiterou estar alinhado com as decisões de Jair Bolsonaro, independentemente de valores.
Dourados no Radar: Gianni Nogueira e o Fundo Eleitoral
Outro nome de peso citado é o de Gianni Nogueira, esposa do deputado Rodolfo Nogueira. As notas mencionam aportes milionários para viabilizar sua candidatura ao Senado por Dourados. O rascunho indica que o apoio financeiro seria o “fiel da balança” para que o grupo de Rodolfo não criasse obstáculos ao arranjo nacional do partido.
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O posicionamento: Interlocutores da família Nogueira explicam que os valores citados referem-se ao planejamento do Fundo Eleitoral (FEFC), necessário para uma campanha ao Senado em um estado de grandes extensões como o MS, e não a benefícios pessoais ou “acordos de silêncio”.
Riedel é o Escolhido; Contar fica no “Teto”
O documento confirma o que muitos já suspeitavam: o PL nacional abandonou a ideia de candidatura própria pura para apoiar o atual governador Eduardo Riedel (PSDB).
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Capitão Contar, que nas anotações aparece com 18% de intenções de voto, é visto como um nome competitivo, mas sem a estrutura necessária para o projeto de Flávio Bolsonaro.
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A estratégia é clara: unir a máquina estadual de Riedel ao capital político de Bolsonaro para garantir uma vitória acachapante contra a esquerda.
O “Outro Lado”: O que dizem os citados?
| Personagem | Status nas Notas | Resposta Oficial |
| Marcos Pollon | Teria pedido R$ 15 milhões. | Nega veementemente; fala em “intriga da oposição”. |
| Gianni Nogueira | Demandou milhões para o xadrez do PL. | Alega planejamento de verba oficial de campanha. |
| Eduardo Riedel | Nome consolidado para 2026. | Mantém a agenda de governo, mas celebra a aliança com o PL. |
| Capitão Contar | Apontado com 18% nas urnas. | Segue como “bolsonarista independente”, sem apoio da cúpula nacional. |
Análise
O vazamento dessas notas mostra que, para 2026, a ideologia pode estar dando lugar ao pragmatismo financeiro e estrutural. O PL de Mato Grosso do Sul enfrenta agora o desafio de unir suas bases — divididas entre os “fiéis de Contar” e os “novos aliados de Riedel” — enquanto tenta apagar o incêndio causado pelas cifras reveladas nos papéis de Flávio.
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