Crescimento Impressionante
Em 2023, o PIB de Mato Grosso do Sul atingiu R$ 184 bilhões, registrando uma variação de 13,4% em relação a 2022. Esse desempenho é quatro vezes superior ao índice nacional, que foi de 3,2%, colocando o estado como o segundo maior crescimento percentual do Brasil, ficando apenas atrás do Acre, que registrou 14,1% de crescimento.
“O que se demonstra agora é a distribuição regional desse crescimento, onde aconteceram os maiores impactos, embora todos os municípios tenham sido beneficiados”, destaca Jaime Verruck, secretário da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).
Agroindústria Puxa o Desenvolvimento
A agroindústria foi o grande destaque do crescimento econômico sul-mato-grossense. A combinação entre produção agropecuária, industrialização vinculada ao agronegócio e ampliação da infraestrutura sustentaram o dinamismo da economia e ampliaram as oportunidades de desenvolvimento nos municípios.
Em 2025, as perspectivas para o agronegócio são otimistas. O setor agropecuário de Mato Grosso do Sul deve crescer 17,9% em 2025, fazendo do estado o que terá o maior crescimento no PIB agrícola do Brasil. A produção de milho segunda safra apresenta perspectivas ainda mais positivas, com uma área cultivada de 2,1 milhões de hectares, produtividade média esperada de 80,8 sacas por hectare e expectativa de uma produção total de 10,2 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 20,6% em relação ao ciclo anterior.
Dados da CNA Brasil mostram que o agronegócio de Mato Grosso do Sul cresceu 18% em 2025, consolidando o estado em posição estratégica no país. Esse movimento foi impulsionado pela chegada e expansão de indústrias de etanol de milho, com produção de 1,58 bilhão de litros na safra atual, crescimento de 58%. Outras cadeias produtivas também despontam com força: a citricultura avança com projeção de 30 mil hectares de laranja, enquanto o amendoim mantém ritmo acelerado, com área plantada de 43,5 mil hectares e produção estimada em 173,7 mil toneladas.
Desconcentração de Riquezas
Um dos resultados mais significativos da política estadual de incentivos foi a desconcentração econômica. Antes, a economia se concentrava principalmente nos maiores centros, mas agora o crescimento se espalha pelo interior do estado, beneficiando municípios de médio e pequeno porte.
Em 2010, as dez maiores economias do estado respondiam por 65,54% do PIB. Em 2023, essa participação caiu para 60,74%, evidenciando uma distribuição mais equilibrada da riqueza. Nenhum município registrou queda no valor nominal do PIB, demonstrando que o crescimento foi realmente generalizado.
“Temos um espraiamento do crescimento da agropecuária, que impacta regiões como Dourados, Ponta Porã e Maracaju, além do investimento agroindustrial, que agora conseguimos observar de forma mais clara no território”, explica o secretário Verruck.
Municípios em Destaque
Maiores PIBs absolutos: A liderança no estado continua com Campo Grande, que passou de R$ 40,4 bilhões em 2022 para R$ 42,2 bilhões em 2023. Dourados ocupa a segunda posição, acumulando R$ 17,4 bilhões em 2022 e R$ 20,2 bilhões em 2023, um crescimento de 10,8%. Três Lagoas completa o trio de destaque, totalizando R$ 13 bilhões em 2022 e R$ 14,7 bilhões em 2023.
Três Lagoas reafirma sua posição de importância econômica regional, respondendo por mais de 50% das exportações de Mato Grosso do Sul, principalmente pela cadeia da celulose. A indústria impulsiona as exportações, a geração de empregos e a demanda por serviços especializados.
Maiores PIB per capita: Quando o foco é PIB per capita (riqueza por habitante), o ranking é bem diferente. Os cinco municípios com maior PIB per capita em 2023 foram: Selvíria (R$ 330.535,28), Paraíso das Águas (R$ 252.215,19), Jateí (R$ 203.563,32), Laguna Carapã (R$ 184.975,76) e Ribas do Rio Pardo (R$ 144.850,38). Esses municípios, menores em população, geram elevada riqueza por habitante, muitos deles fortemente ligados ao setor agropecuário.
Composição Setorial
A economia de Mato Grosso do Sul é diversificada. Os serviços mantêm o maior peso na economia, representando 51,7% do PIB (R$ 83,5 bilhões). O setor industrial contribuiu com 22,35% do PIB (R$ 36 bilhões), com destaque para indústrias de transformação como celulose, biocombustíveis, alimentos e bebidas.
A indústria de transformação foi impulsionada pela fabricação de produtos alimentícios, que cresceu 7,4% no acumulado de 2024, e pela produção de celulose e produtos de papel, com aumento de 4,6%. A fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis também apresentou números expressivos, com crescimento de 5,9% em 2024 e de 10,9% nos últimos 12 meses.
Perspectivas para 2026
As projeções para 2026 indicam continuidade do crescimento, mas com cautela. Segundo a projeção do PIB de Mato Grosso do Sul da Semadesc, o estado deverá crescer 5,03% em 2026, mantendo uma trajetória positiva. A receita estadual está prevista em R$ 27,19 bilhões para 2026, um avanço de 3% em relação aos R$ 26,4 bilhões estimados para 2025.
No setor agrícola, há expectativa de redução. A produção agrícola de Mato Grosso do Sul deve encolher em 2026, com projeção de redução de 1,1% na área colhida, um dos maiores recuos entre as unidades da federação. No entanto, o estado mantém alto patamar de investimento público: aproximadamente R$ 3,44 bilhões serão destinados a investimentos diretos em 2026, valor que mantém Mato Grosso do Sul entre os estados com maior proporção de investimento sobre a receita corrente.
Além dos investimentos do Tesouro, o orçamento das sociedades de economia mista, como a Sanesul, a MSGás e as Centrais de Abastecimento de Mato Grosso do Sul, totaliza R$ 870,6 milhões, reforçando o papel do setor público estadual como motor do desenvolvimento.
Conclusão
O crescimento do PIB em Mato Grosso do Sul em 2023 e as perspectivas para 2026 demonstram a força da economia estadual, especialmente nos setores agroindustrial e de transformação. A distribuição desse crescimento por todas as regiões, com destaque especial para os municípios que prosperam na agroindústria, consolida o estado como um polo importante no desenvolvimento econômico brasileiro. A política de incentivos e a diversificação das cadeias produtivas abrem perspectivas promissoras para os próximos anos.
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