quinta-feira , 5 de março de 2026
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Piscicultura de MS: O Salto de 2025 e a Nova Era da Proteína nas Águas

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Piscicultura de MS: O Salto de 2025 e a Nova Era da Proteína nas Águas
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O Cenário: De “Ano de Ajuste” para Recorde Produtivo

Se 2024 foi o ano de “arrumar a casa” – com o produtor sul-mato-grossense apertando o cinto nos custos de ração e energia – 2025 termina com o dever de casa feito e a régua lá em cima.

O setor fecha o ano superando a barreira das 50 mil toneladas de pescado produzidas, consolidando um crescimento robusto sobre as 43 mil toneladas da safra anterior. O “pulo do gato” não foi apenas volume, mas estratégia: a tilápia segue como a rainha dos tanques (quase 90% do volume), mas vimos neste ano a profissionalização bater na porta dos nativos e a logística do Sudoeste começar a desenhar novos horizontes.

O Radar do Produtor: O programa Peixe Vida, com incentivos fiscais do Governo do Estado que reduziram a carga tributária efetiva para cerca de 1%, foi o oxigênio que o setor precisava para investir em tecnologia e sanidade neste ciclo.

Análise Regionalizada: Onde o Peixe “Bate Água”

Seguindo nossa diretriz de olhar o Estado com lupa regional, dividimos o balanço de 2025 em três frentes de batalha:

1. Grande Dourados: O “Chão de Fábrica” da Tilápia

Na região da Grande Dourados e Itaporã, a palavra de ordem é escala e indústria.

  • Integração Vertical: O modelo, espelhado no sucesso da avicultura local, blindou o produtor das oscilações mais bruscas do mercado de grãos (soja/milho para ração).

  • Exportação Agressiva: Mesmo com o “susto” das ameaças tarifárias norte-americanas, as plantas frigoríficas da região exportaram volumes recordes de filé fresco. Dados que cruzamos com a Famasul indicam um salto superior a 100% no envio de tilápia para o exterior no primeiro semestre, sustentando o preço no mercado interno.

  • Defesa Sanitária: O monitoramento rigoroso do IAGRO garantiu que nossos tanques escavados ficassem livres de enfermidades que afetaram outros estados, mantendo nossas fronteiras comerciais abertas.

2. Centro/Pantanal: A Retomada dos Nativos

Aqui o jogo é diferente. Enquanto Dourados foca na commodity (tilápia), o Centro e Pantanal trabalham o valor agregado.

  • Tecnologia Embrapa: Em 2025, vimos a aplicação prática das pesquisas da Embrapa Pantanal para melhorar a conversão alimentar do Pacu e do Pintado. O produtor que apostou na tecnologia reduziu o ciclo de engorda.

  • Desafio Ambiental: A seca histórica no Pantanal exigiu manejo de precisão. Quem seguiu as diretrizes de monitoramento de qualidade de água e densidade de estocagem conseguiu atravessar o período crítico com rentabilidade.

3. Sudoeste (Porto Murtinho): A Logística do Futuro

O Sudoeste fecha 2025 não apenas olhando para o boi ou para a cana da Biosul, mas para o peixe.

  • Efeito Rota Bioceânica: Com a ponte binacional em fase final e os acessos pavimentados, Porto Murtinho se prepara para ser a saída do pescado congelado para os mercados andinos e asiáticos. A Rota Bioceânica deixa de ser promessa e vira planilha de custo logístico vantajoso.

  • Diversificação: Produtores de áreas de reforma de cana e eucalipto começam a testar a piscicultura em tanques escavados como segunda renda, aproveitando a estrutura fundiária da região.

Mercado e Cotações: O Que Esperar para 2026?

Cruzando os dados de Corretora com o boletim da Famasul, o cenário para o início de 2026 desenha-se da seguinte forma:

Indicador Tendência Análise Conexão Agro
Preço da Tilápia (Kg) 🔼 Estável/Alta Demanda externa firme e Quaresma 2026 se aproximando.
Custo de Produção 🔽 Leve Queda Safra cheia de soja/milho deve aliviar o custo da ração no 1º tri.
Demanda Interna 🔼 Alta Aumento do consumo per capita no MS e estados vizinhos.

Ponto de Atenção: O produtor deve ficar atento ao câmbio. O dólar alto favorece a exportação dos frigoríficos (o que enxuga a oferta interna e melhora o preço pago ao produtor), mas encarece insumos importados.

Visão do Editor

A piscicultura de Mato Grosso do Sul deixa de ser uma “aposta” para se tornar um pilar de proteína animal ao lado do boi, do suíno e do frango. O fechamento de 2025 prova que temos competência técnica (Embrapa/Fundação MS), sanidade (IAGRO) e política pública (Peixe Vida/Semadesc) alinhadas.

O desafio para 2026? Transformar a eficiência da tilápia também para os peixes nativos, garantindo que o “DNA do Pantanal” tenha espaço na gôndola do supermercado com a mesma competitividade.

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