O empresário Ueverton da Silva Macedo, o “Frescura”, usava um telefone celular enquanto estava preso preventivamente, entre outubro de 2024 e agosto de 2025. O ato ilegal era do conhecimento dos policiais penais do Presídio de Trânsito de Campo Grande.
Esse é uma dos detalhes revelados pelos investigadores do Gecoc/MPMS (Grupo Especial de Combate à Corrupção, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) e apresentado à Justiça. Frescura voltou a ser preso em 26 de fevereiro.
Investigadores analisaram o aparelho da esposa dele, Juliana Paula da Silva, e confirmaram que um contato salvo com o nome do filho do casal era de Frescura. Ele mantinha contato frequente com a mulher mesmo preso.
Em conversa interceptada em maio de 2025, Ueverton relatou que, a cada semana, um interno da cela deveria quitar os custos de usar os telefones. Quando foi a vez dele, contou que teria que pagar R$ 1.250.
Para o Gecoc, os policiais penais sabiam dos aparelhos. “Ueverton deixou clara a conivência de servidores públicos em relação ao uso de aparelhos celulares na unidade prisional. Ele revelou que a prática não era desconhecida, mas sim tolerada por aqueles que tinham o dever funcional de reprimi-la”, diz o documento.
Em outro trecho, Frescura fala à esposa que não teria problema em entregar o aparelho caso os agentes pedissem. Ele chegou a citar o primeiro nome de um policial penal ao relatar uma conversa.
“Como evidenciado, Ueverton Macedo, o ‘Frescura’, detinha ilegalmente em sua posse um aparelho celular durante o período de cumprimento de prisão preventiva (25/10/2024 a 26/09/2025). A posse do dispositivo era de conhecimento e possuía a anuência de servidores públicos lotados no estabelecimento prisional, que, ao que tudo indica, recebiam valores indevidos para permitir a entrada e manutenção do referido aparelho, bem como para garantir ao detento o livre uso do dispositivo, sem qualquer fiscalização efetiva”, conclui o Gecoc.
A defesa de Ueverton da Silva Macedo, feita pelo advogado Arlei de Freitas, informou que está estudando o processo para apresentar a contestação ao relatório do Gecoc, assim como provas que surjam no futuro.
Preso, ‘Frescura’ comandava negócios da família em Sidrolândia direto da cadeia
“Frescura” comandava os negócios da família em Sidrolândia mesmo preso no Presídio de Trânsito de Campo Grande. Ele voltou para a prisão em 26 de fevereiro justamente por conta da rede de apoio que montou enquanto esteve na Capital.
Ficou demonstrado que era “Frescura” do outro lado quando ele e a esposa citavam nominalmente os filhos do casal. A prova crucial foi uma selfie que Ueverton enviou para a companheira.
Em maio de 2025, ele fez uma reserva em um hotel de Campo Grande para a esposa e os dois filhos. “Tá reservado pra vocês. Sábado e domingo. Pode ficar até segunda. Já se programa. Arruma as malas”, escreveu Frescura para Juliana.
Ainda naquele mês, Ueverton pediu que a esposa encontrasse um corretor de imóveis para avaliar uma proposta. “Vai lá amanhã falar com ele”, solicitou.
Em outro trecho do relatório, os agentes citam conversa do empresário comentando a despedida do juiz Fernando Moreira Freitas da Silva, então titular da Vara Criminal de Sidrolândia.
Silva deixou o cargo para assumir a função de professor de Direito da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul). O juiz Bruce Henrique dos Santos Bueno Silva assumiu a comarca de Sidrolândia logo depois.
“Esse conhecimento prévio sobre a movimentação funcional do magistrado evidencia que Ueverton da Silva Macedo, mesmo segregado cautelarmente, monitorava o mundo externo, sobretudo a autoridade judiciária responsável pela condução dos processos criminais em seu desfavor”, dizem os investigadores.
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