Às vésperas de um ano eleitoral decisivo, o governador Eduardo Riedel (PP) já trabalha para reorganizar sua equipe e blindar a gestão estadual diante da disputa de 2026. A estratégia em curso passa por uma reforma administrativa que contemplará a saída de secretários interessados em concorrer nas eleições gerais. A medida, além de evitar descontinuidades nos trabalhos do Executivo, busca garantir que Riedel chegue ao pleito em condições políticas mais sólidas para tentar a reeleição.
Segundo apuração do Correio do Estado, três nomes já confirmaram a desincompatibilização: Jaime Verruck (Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Eduardo Rocha (Casa Civil) e Marcelo Miranda (Turismo, Esporte e Cultura). Embora o prazo legal permita que secretários permaneçam em seus cargos até abril de 2026, o governador determinou dezembro como a data-limite para a saída, sinalizando pressa em reorganizar o time. Essa antecipação é reveladora da prioridade que Riedel dá ao alinhamento político em detrimento de ajustes tardios durante a própria campanha.
Verruck: o “coringa” que pode ir ao Senado
Entre os cotados, Jaime Verruck desponta como peça chave. Braço forte em duas gestões — oito anos com Reinaldo Azambuja e quase três ao lado de Riedel —, o secretário é visto como alguém que precisa, finalmente, se submeter ao crivo das urnas. Oficialmente ligado ao PSD, ele deve disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, mas aliados próximos não descartam um salto maior: a postulação ao Senado.
Essa indefinição não é mero cálculo pessoal: trata-se de uma leitura estratégica do grupo de situação. A candidatura de Verruck pode ser moldada conforme o desenho da coligação em 2026, funcionando como variável de ajuste para maximizar espaços de poder. Ter o aval de Riedel e de todo o núcleo político evidencia o capital que acumulou ao longo de mais de uma década em diferentes governos.
Eduardo Rocha aposta em dobradinha com Simone Tebet
Eduardo Rocha, titular da Casa Civil, também está de saída, mirando uma vaga na Assembleia Legislativa pelo MDB. A relação direta com Simone Tebet, ministra do Planejamento e figura de destaque nacional, torna seu projeto eleitoral ainda mais relevante. Rocha pode funcionar como elo entre a política regional e a articulação em Brasília, fortalecendo a presença do MDB no cenário estadual.
O movimento sugere que a estratégia dos Tebet é consolidar posicionamento duplo: Simone em nível federal e Eduardo garantindo espaço em Mato Grosso do Sul. Essa engenharia amplia os canais de influência e assegura protagonismo no próximo ciclo político.
Marcelo Miranda e o reposicionamento partidário
Marcelo Miranda, atual secretário de Turismo, Esporte e Cultura, também tentará uma cadeira na Alems. Ainda aparece vinculado ao PSDB, mas a fragilidade da legenda no Estado abre espaço para que busque outra sigla antes do registro das candidaturas. A movimentação dele revela um dilema partidário mais amplo: após a perda de força em nível estadual, o PSDB, que já foi hegemônico em Mato Grosso do Sul, enfrenta dificuldades para manter quadros competitivos.
A estratégia de Riedel
Ao antecipar a reforma administrativa, Riedel não apenas organiza sua máquina, mas sinaliza à base aliada que a gestão não será comprometida por rearranjos de última hora. Ele demonstra que pretende disputar a reeleição com controle do cenário político e unidade dentro do governo. A medida também se torna simbólica: abre espaço para novos nomes na administração, oxigenando o secretariado, enquanto libera seus principais aliados para construir musculatura eleitoral.
A mensagem é clara: em 2026, Riedel buscará não apenas renovar seu mandato, mas também fortalecer a presença de seu grupo no Congresso e na Assembleia, garantindo sustentação política para um eventual segundo governo.
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