Nos últimos dias, a ex-senadora por Mato Grosso do Sul e atual ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), tem estado politicamente mais próxima de São Paulo do que do seu estado de origem. A movimentação reforça as especulações de que ela pode disputar as eleições deste ano pelo maior colégio eleitoral do país, seja ao Senado ou, de forma mais contundente, ao governo paulista.
De acordo com apuração do Correio do Estado, a questão central já não é mais se Simone Tebet concorrerá em São Paulo, mas quando fará o anúncio oficial. A expectativa é de que a decisão seja comunicada logo após o Carnaval, período em que a ministra deve se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para definir os próximos passos do projeto político.
A pessoas próximas, Tebet tem afirmado que aguardará essa conversa final com o presidente antes de qualquer posicionamento público e que muitas das informações divulgadas até agora refletem interesses de terceiros. Oficialmente, até o momento, ela mantém domicílio eleitoral em Mato Grosso do Sul e segue filiada ao MDB, partido ao qual pertence há 27 anos, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No entanto, cresce a possibilidade de uma migração para o PSB caso a candidatura em São Paulo se concretize.
O cenário político paulista tem pressionado o Palácio do Planalto a buscar uma alternativa competitiva. Com a resistência do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), em disputar o governo do estado, e a sinalização do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) de que não pretende concorrer a cargos eletivos, aliados veem em Simone Tebet um nome capaz de fortalecer o palanque de Lula em São Paulo.
A estratégia passa pela dificuldade histórica do PT no estado, onde o partido nunca venceu uma eleição para governador. A avaliação é de que Tebet poderia levar a disputa contra o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao segundo turno, evitando uma vitória confortável da direita ainda na primeira etapa.
Pesquisas internas apontam que a ministra sul-mato-grossense pode surgir como fator surpresa na corrida eleitoral, sobretudo por seu perfil de centro e pelo ineditismo de uma mulher comandar o maior estado do país. Aliados de Tarcísio avaliam, inclusive, que Simone Tebet seria uma adversária mais difícil do que Haddad ou Alckmin.
Enquanto isso, no PT paulista, apesar de não haver resistência ao nome de Tebet, a preferência ainda recai sobre Haddad. A definição final, porém, depende do aval de Lula — sinal verde que pode transformar especulação em candidatura oficial.
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