Pesquisas qualitativas citadas pelo jornal O Estado de São Paulo nesta segunda-feira (19) apontam a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), como um potencial “fato surpresa” no cenário eleitoral paulista de 2026. Os levantamentos indicam que a ministra desponta como a principal ameaça à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), caso decida disputar o comando do Palácio dos Bandeirantes.
O estudo quantitativo, conduzido pelo cientista político Jairo Pimentel, da consultoria Quanti.Lab, ouviu mil eleitores por telefone entre 22 e 23 de dezembro de 2025. Embora não registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o levantamento aponta impactos diretos sobre o atual governador, que já sinalizou intenção de buscar um novo mandato.
Um dos dados mais sensíveis ao eleitorado envolve o histórico político do Estado: cerca de 40% dos entrevistados desconheciam que São Paulo jamais foi governado por uma mulher. Quando informados desse fato, um quarto afirmou que a informação influenciaria na escolha eleitoral. Após esse dado, Simone avançou e chegou a empatar tecnicamente com Tarcísio entre as mulheres, segmento no qual o governador registrou queda. A deputada federal Erika Hilton (Psol) também apresentou crescimento, embora menor.
Segundo Pimentel, o dado funciona como um atalho cognitivo no processo decisório. “Se Simone for candidata e se apresentar a partir do fato de que São Paulo nunca teve uma governadora, cria-se um apelo de identidade. Esse fator histórico pode gerar tração, sobretudo entre as mulheres”, afirmou.
Paralelamente, um estudo qualitativo coordenado por Nilton Tristão, da GovNet & Opinião Pesquisa, analisou a disposição do eleitorado a candidaturas femininas. Os resultados reforçam a leitura de que Tebet possui imagem positiva e baixa rejeição: 48% dos participantes avaliaram-na favoravelmente, 28% relataram dificuldade em julgá-la e 24% demonstraram avaliação negativa. O principal obstáculo seria o desconhecimento.
Quando estimulados a citar mulheres com potencial para governar o Estado, 65% lembraram de algum nome. Tebet apareceu espontaneamente com 15%, seguida por Michelle Bolsonaro (PL), com 10%, e Tabata Amaral (PSB), com 8%.
No imaginário do eleitor, Simone foi associada a atributos como competência, empatia e capacidade de conciliação. Para Tristão, parte dos entrevistados a enxerga como alguém que “pensa, organiza e conduz com equilíbrio e decoro os interesses públicos”. Cerca de 60% afirmaram que aceitariam votar nela para governadora.
O eventual cenário dialoga com um tema central: a maioria dos eleitores paulistas deseja algum grau de mudança na condução do Estado, mas não uma ruptura brusca. Entre as mulheres, esse sentimento é ainda mais forte. “O eleitor quer mudança segura”, resumiu Pimentel.
No entanto, a ministra enfrenta um desafio adicional: caso seja associada ao PT, sua rejeição tende a subir — superior, inclusive, à registrada pelos ministros Fernando Haddad (PT) e Geraldo Alckmin (PSB).
Apesar da movimentação nos bastidores, Tebet tem afirmado publicamente que pretende disputar o Senado por Mato Grosso do Sul. A decisão final, porém, ficará a cargo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deve definir o quadro eleitoral até o fim do mês.
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