Um trecho do Rio da Prata, conhecido por suas águas cristalinas, secou nesta sexta-feira (19) no município de Jardim (MS), sob a ponte do Curé, mobilizando equipes para o resgate de peixes que ficaram isolados na área. O rio é um dos principais atrativos turísticos das cidades de Bonito e Jardim, mas vem sofrendo com os efeitos da seca e possíveis interferências humanas.

Cerca de 20 voluntários do Instituto Guarda Mirim Ambiental atuam desde o início do mês monitorando a situação e realizaram a retirada de diversas espécies, como piraputanga, curimba, lambari e cascudo. Os peixes resgatados estão sendo levados para locais onde o fluxo do rio ainda está normal, garantindo a sobrevivência das espécies.
A situação da seca não é inédita: em 2024, um trecho de 20 km do rio chegou a secar em decorrência de uma estiagem prolongada e da construção de drenos nas cabeceiras do rio, que agravaram o problema. Este ano, a seca restringe-se a um trecho de cerca de três quilômetros, mas preocupa autoridades ambientais e a população local.
O Rio da Prata nasce na Serra da Bodoquena e deságua no Rio Miranda, sendo um importante parte do ecossistema do Pantanal. A expectativa é que com a chegada da primavera e o aumento das chuvas o nível do rio se recupere, mas enquanto isso, o resgate dos peixes continuará para proteger a vida aquática.
Especialistas alertam para a necessidade de ações de preservação e manejo sustentável da água, visando evitar que episódios como este se repitam, protegendo um dos maiores patrimônios naturais do estado de Mato Grosso do Sul.
Como a seca do Rio da Prata afeta o ecossistema local e o turismo
A seca do Rio da Prata afeta o ecossistema local ao deixar extensos trechos do rio secos, o que isola cardumes de peixes e causa a morte de diversas espécies aquáticas, como peixes e caranguejos. O leito seco expõe lama e areia, comprometendo a biodiversidade e o equilíbrio do ecossistema, especialmente por ser o rio um afluente importante do Rio Miranda, dentro do Pantanal. Essa redução do volume de água também prejudica habitats naturais, ameaçando a fauna e flora que dependem do rio para sobreviver. A menor vazão do rio está relacionada a estiagens prolongadas e à interferência humana, como construções de drenos nas cabeceiras, que se somam à perda de vegetação nativa e aumento da erosão do solo.
No turismo, a seca prejudica diretamente um dos principais atrativos da região, que são as águas cristalinas do Rio da Prata. Atividades como a flutuação, que atraem milhares de turistas a Bonito e Jardim, dependem da qualidade e quantidade da água. A redução do nível e a turvação causada pela erosão e interferências agrícolas afetam a experiência turística, podendo levar ao cancelamento de passeios e perdas econômicas locais. Eventos anteriores de seca já levaram à interrupção dos passeios e a operações de resgate ambiental para preservar os peixes. No entanto, apesar do trecho seco atual, a maioria dos atrativos turísticos da região ainda mantém suas águas claras e as atividades seguem normalmente, segundo monitoramentos recentes.

Assim, a seca do Rio da Prata representa um desafio ambiental severo e uma ameaça ao ecoturismo da região, destacando a necessidade urgente de conservação, manejo sustentável dos recursos hídricos e recuperação das áreas naturais para garantir a preservação do ecossistema e o funcionamento do turismo ecológico.
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