Brasília/Campo Grande: A federação União Progressista (UP), que reúne União Brasil e PP, decidiu deixar a base do governo Lula (PT). A medida deve levar à saída dos ministros Celso Sabino (Turismo/União) e André Fufuca (Esportes/PP). Interlocutores do Planalto pressionam para que o desembarque inclua também outros cargos estratégicos ocupados por indicações das siglas, para evidenciar o racha.
A decisão foi amadurecida após a formalização da superfederação, que se tornou a maior força da Câmara (109 deputados) e uma das maiores do Senado (14–15 senadores, a depender das filiações). A criação da UP foi oficializada em 19 de agosto e elevou o poder de barganha das legendas no Congresso.
O impacto direto em Mato Grosso do Sul
1) PP comanda a federação no Estado
Em Mato Grosso do Sul, o comando da UP é do PP, sob liderança da senadora Tereza Cristina (PP-MS), com a deputada Rose Modesto (União-MS) como vice da federação estadual. A definição foi noticiada pela imprensa local e confirmada pelas próprias lideranças.
2) Base governista estadual mudou de cor
O governador Eduardo Riedel trocou o PSDB pelo PP em 19 de agosto, em evento nacional do partido. A mudança reconfigura o eixo de negociações políticas em MS e, na prática, aproxima o governo estadual do bloco que estão desembarcando do governo federal.
3) Bancada federal de MS na federação
- Tereza Cristina (PP-MS) — senadora e líder do PP no Estado; ganha centralidade nas conversas sobre a distribuição de espaços e na estratégia da oposição/independência em Brasília.
- Dr. Luiz Ovando (PP-MS) — deputado federal; sua atuação passa a se alinhar às diretrizes da federação fora da base, com reflexos em votações sensíveis para o Planalto.
- Rose Modesto (União-MS) — deputada federal (licenciada ou sem exercício em parte do período) e vice do diretório da federação em MS; tende a ser voz de articulação do União no Estado.
4) Cargos federais em disputa
Com o desembarque, o Planalto deve cobrar não só os ministérios, mas também posições de 2º e 3º escalões ocupadas por indicações de PP/União. Em MS, isso pode respingar em superintendências e órgãos federais tradicionalmente partilhados na política local (como pastas ligadas a infraestrutura e desenvolvimento), ainda que os nomes específicos não tenham sido citados oficialmente até o fechamento deste texto. É o movimento que aliados do governo defendem para “mostrar o racha”.
5) Relação com o governo federal
Mesmo após filiar-se ao PP, Riedel declarou que a relação institucional com o governo Lula não deve se deteriorar — sinalizando que a pauta federativa (obras e repasses) continuará sendo tratada de forma técnica.
Cenários: o que observar nas próximas semanas
- Substitutos nos ministérios: definição de novos titulares para Turismo e Esportes e eventual recomposição de espaços da federação no governo.
- Votações de alto impacto: a UP tende a adotar postura mais crítica em temas econômicos e de interesse do Planalto. O tamanho do bloco dá lastro para obstruções e negociações duras.
- Efeito municipal/estadual: com PP à frente da federação em MS, a costura para 2026 (deputados e Senado) e 2028 (prefeituras) ganha novo arranjo — inclusive com possíveis migrações partidárias no entorno de Tereza Cristina e Rose.
Ficha dos principais nomes de MS ligados à federação
- Tereza Cristina (PP-MS), senadora — presidente da federação em MS; ex-ministra da Agricultura; uma das principais articuladoras nacionais do PP.
- Rose Modesto (União-MS), deputada federal — vice da federação em MS; liderança do União no Estado.
- Dr. Luiz Ovando (PP-MS), deputado federal — integrante da bancada do PP e do bloco UP na Câmara.
- Eduardo Riedel (PP), governador — filiado recentemente ao PP, reforça o peso do partido no Estado em meio ao redesenho com a UP.
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