O assassinato do auditor fiscal Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, ocorrido na tarde desta terça-feira (24), em Campo Grande, está inserido em um cenário complexo de disputas judiciais e pendências financeiras envolvendo o ex-prefeito Alcides Bernal. O crime aconteceu em um imóvel de alto padrão, avaliado em R$ 3,7 milhões, que havia sido leiloado judicialmente devido a dívidas acumuladas.
Segundo informações apuradas, Mazzini havia arrematado o imóvel em leilão realizado em 2025 e se dirigiu ao local acompanhado de um chaveiro para tomar posse da residência. No entanto, Bernal, que ainda ocupava a casa, não aceitava a perda da propriedade. Durante a tentativa de acesso, o auditor foi atingido por disparos na varanda do imóvel.
Equipes de socorro foram acionadas e tentaram reanimar a vítima por cerca de 25 minutos, mas Mazzini não resistiu aos ferimentos. Após o crime, o ex-prefeito deixou o local sem prestar socorro, apresentando-se posteriormente à polícia.
A residência onde ocorreu o homicídio está localizada em uma das regiões com o metro quadrado mais valorizado da Capital e já era um dos principais focos de conflito. Embora ainda conste em nome da Caixa Econômica Federal, o imóvel acumula uma dívida de IPTU que ultrapassa R$ 344 mil, com valores inscritos em dívida ativa desde 2018.
O episódio se soma a uma série de processos enfrentados por Bernal ao longo dos últimos anos. Entre eles, destaca-se uma condenação relacionada a irregularidades em convênios firmados durante sua gestão como prefeito. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul cobra a devolução de aproximadamente R$ 8,5 milhões aos cofres públicos, sendo cerca de R$ 2,9 milhões atribuídos diretamente ao ex-prefeito. A decisão já transitou em julgado, mas até o momento não houve pagamento.
Diante da inadimplência, a Justiça determinou, em 2023, o bloqueio de contas bancárias por meio do sistema Sisbajud, sem sucesso na localização de valores. O Ministério Público passou então a solicitar a penhora de bens como forma de garantir o ressarcimento.
Além das pendências com o poder público, Bernal também enfrenta uma execução judicial na esfera familiar. A ação, movida por um de seus filhos, cobra valores de pensão alimentícia não pagos entre 2013 e 2016. A dívida inicial ultrapassa R$ 112 mil, podendo chegar a cerca de R$ 172 mil após atualização. Segundo o processo, havia acordo judicial prevendo desconto direto em folha, mas os pagamentos teriam sido interrompidos após sua cassação.
O documento ainda relata dificuldades financeiras enfrentadas pelo filho, incluindo interrupção dos estudos, além de alegações de abandono material. A Justiça determinou prazo para pagamento, sob risco de multa, penhora de bens e possível responsabilização criminal.

Outro ponto de conflito envolve uma área rural em Sidrolândia. A Justiça reconheceu a inadimplência de Bernal em contrato de arrendamento firmado em 2019, o que resultou na rescisão do acordo, reintegração de posse ao proprietário e ordem de despejo. O ex-prefeito também foi condenado ao pagamento dos valores atrasados, acrescidos de juros e multa contratual.
Apesar de contestar a decisão, alegando não ter exercido posse da área, o caso teve novos desdobramentos neste ano, incluindo registro de ocorrência por suposta invasão do imóvel.
O conjunto de situações revela um histórico prolongado de conflitos patrimoniais, judiciais e financeiros. No caso mais recente, o imóvel que motivou o homicídio já estava judicialmente comprometido, com leilão concluído e posse legal transferida ao auditor fiscal, cuja tentativa de assumir a propriedade terminou de forma trágica.
*Com informações Campo Grande News
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