O setor agropecuário de Mato Grosso do Sul vive um cenário de contrastes nesta reta final de fevereiro. De um lado, as máquinas avançam no campo com a colheita da safra de soja 2025/2026, a preocupação aumenta devido ao impacto climático que já comprometeu milhares de hectares na região sul do estado.
Soja: Entre o avanço das máquinas e o prejuízo da seca
De acordo com o Boletim Casa Rural da Famasul, a área colhida de soja no estado alcançou 27,7% até o dia 20 de fevereiro. A região Sul lidera o ritmo de trabalho, com 33,5% de sua área já colhida.
Entretanto, o otimismo do início do ciclo deu lugar ao alerta. Após um dezembro promissor, os meses de janeiro e fevereiro foram marcados por estiagens severas e altas temperaturas. Os levantamentos técnicos apontam que mais de 640 mil hectares foram afetados por veranicos superiores a 20 dias em algumas localidades. Os municípios de Dourados, Ponta Porã, Maracaju e Amambai figuram como os mais impactados pela falta de chuvas.
Atualmente, apenas 62,9% das lavouras sul-mato-grossenses são classificadas em “boas condições” , enquanto 13,8% já apresentam condições ruins devido à alta incidência de pragas e estresse hídrico.
Milho: Plantio da 2ª safra segue em ritmo acelerado
Paralelamente à colheita da oleaginosa, o produtor rural trabalha no plantio do milho safrinha. A área plantada já atingiu 30,5% da estimativa total para o estado. A região Norte é a que apresenta o cronograma mais adiantado, com 32,6% dos trabalhos concluídos.
A expectativa de produção para este ciclo de milho é de 11,139 milhões de toneladas, um volume expressivo, porém 20,1% menor do que o colhido na safra anterior, reflexo de uma redução esperada na produtividade média para 84,2 sacas por hectare.
Mercado e Preços
No fechamento desta segunda-feira (23), o preço médio nominal da soja em Mato Grosso do Sul foi cotado a R$ 108,44 por saca. Já o milho registrou uma leve valorização no período, sendo negociado em média a R$ 53,44 no mercado interno do estado.
Previsão do Tempo: Instabilidade à vista
Para os próximos dias, o produtor deve ficar atento ao céu. A previsão indica o avanço de uma frente fria e a formação de um ciclone extratropical, que devem trazer chuvas mais frequentes e risco de tempestades isoladas entre terça (24) e quarta-feira (25). Os volumes acumulados podem superar os 40 mm em 24 horas, o que pode paralisar momentaneamente as colheitadeiras, mas traz fôlego para as áreas de milho recém-plantadas
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