O Conselho do Povo Terena divulgou, nesta quinta-feira (5), uma Nota de Repúdio denunciando atos de injúria racial cometidos contra uma estudante Terena do curso de Direito da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), campus de Campo Grande. A entidade manifestou solidariedade à vítima e criticou duramente as práticas discriminatórias relatadas, cobrando providências firmes da instituição de ensino
De acordo com o documento, os episódios teriam ocorrido ao longo de 2024, poucos meses após o ingresso da acadêmica na graduação. As agressões verbais e simbólicas teriam partido de colegas de turma, incluindo o uso de termos depreciativos, gestos estereotipados e falas ofensivas, presenciadas por outros estudantes. O caso só veio a público em 2025, quando a estudante registrou boletim de ocorrência e formalizou denúncia junto à universidade
O Conselho do Povo Terena afirma que a UEMS instaurou uma comissão para apurar os fatos, mas expressa preocupação quanto à imparcialidade do processo, uma vez que o grupo seria composto apenas por pessoas não indígenas, incluindo alguém com possível vínculo de amizade com os denunciados. A entidade defende a participação de representantes indígenas e de instituições de defesa dos direitos dos povos originários em todas as etapas da apuração
Na nota, o Conselho também critica uma suposta orientação inicial para que a estudante não levasse o caso adiante, apontando o episódio como reflexo do racismo estrutural e institucional ainda presente em ambientes acadêmicos. Para a entidade, situações como essa reforçam a necessidade de mudanças profundas no funcionamento das universidades públicas do estado
Por fim, o Conselho do Povo Terena cobra não apenas a punição exemplar dos responsáveis, mas também políticas permanentes de combate ao racismo, com capacitação de servidores, ampliação da presença indígena nos quadros docentes e técnicos e fortalecimento de ações que garantam respeito, dignidade e igualdade no ambiente universitário.
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