O empresário Ueverton da Silva Macedo, conhecido como “Frescura”, é apontado pelo Ministério Público Estadual (MPE) como responsável por comandar um esquema de ocultação de patrimônio mesmo estando preso preventivamente. Segundo relatório do GECOC (Grupo Especial de Combate à Corrupção), ele utilizava um telefone celular dentro da cela para coordenar movimentações financeiras, comprar e vender bens e driblar bloqueios judiciais.
De acordo com a investigação, Ueverton esteve preso pela terceira vez entre 25 de outubro de 2024 e 26 de setembro de 2025. Ainda assim, manteve intensa comunicação com o meio externo, organizando uma rede de apoio formada por pessoas de sua confiança para movimentar valores e esconder a real origem e propriedade de seu patrimônio.
“O acesso ilícito ao aparelho celular funcionou como verdadeiro prolongamento da presença física de Ueverton fora do presídio”, destacou o relatório do MPE, ressaltando que ele continuava a tomar decisões patrimoniais e coordenar negócios mesmo em condição de reclusão.

Conforme o Ministério Público, o empresário pagava policiais penais para manter o aparelho dentro da cela. Em uma das situações descritas, sua esposa, Juliana Paula da Silva, teria entregue R$ 1.250 em espécie para garantir o uso do telefone durante uma semana.
A linha telefônica utilizada estava registrada em nome do filho do casal. No entanto, a quebra de sigilo telemático e a análise de mensagens, fotos e diálogos comprovariam que o empresário era o verdadeiro usuário. Em uma conversa de abril de 2025, ele orienta a esposa sobre como se identificar e agir em determinada situação, evidenciando sua atuação direta.
Rede de apoio
A investigação também revelou a existência de uma rede de apoio composta por Gedielson Cabral Nobre, Everton de Souza Luscero, conhecido como “Pirulito”, e a engenheira civil Flaviana Barbosa de Souza.
Segundo o GECOC, Gedielson realizava depósitos, saques e pagamentos de boletos, inclusive despesas familiares, como mensalidades escolares. Em mensagens trocadas no início de 2025, Juliana relata ter recebido orientações de Ueverton para evitar o envio de valores a determinadas contas bancárias que poderiam ser alcançadas por medidas judiciais de bloqueio.
Já Flaviana teria disponibilizado sua própria conta bancária para receber valores, oferecendo inclusive um cartão para movimentação. Posteriormente, conforme acordado nas conversas, seria criada uma conta empresarial para transferir os recursos e dar continuidade às movimentações financeiras.
Para o Ministério Público, os diálogos demonstram que o empresário mantinha posição de liderança e controle sobre os recursos, mesmo encarcerado, utilizando terceiros para executar as operações financeiras.
Nova prisão
A prisão mais recente de Ueverton foi decretada pela juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias, no âmbito da Operação Camuflagem, deflagrada na última dia 26.
Condenado a 41 anos de prisão por corrupção e obstrução de investigação de organização criminosa, ele foi preso pela quarta vez.
O caso segue sob investigação, e o Ministério Público aponta que as provas reunidas reforçam a gravidade dos fatos e a necessidade de medidas rigorosas para impedir a continuidade das práticas ilícitas.
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