O ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, conhecido como Junior Vasconcelos, foi apontado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) como um dos responsáveis por intermediar negociações entre a Editora Avante e municípios de Mato Grosso do Sul em um suposto esquema de pagamento de propinas investigado pela Operação Gutenberg.
Segundo o relatório que fundamentou a operação, Junior era citado nas conversas como a pessoa encarregada de dar celeridade aos contratos firmados com as prefeituras de Miranda e Camapuã. O documento afirma que ele era mencionado de forma recorrente nas tratativas envolvendo os intermediários da editora.
Junior Vasconcelos foi preso no último dia 7 de julho durante a operação e também foi afastado de suas funções como escrivão da Polícia Civil, cargo de carreira que ocupava. Além disso, exercia a função de assessor parlamentar no gabinete do deputado estadual Jamilson Name (PP).
Movimentações financeiras e supostos pagamentos
De acordo com as investigações, levantamentos bancários identificaram que Junior recebeu R$ 22,5 mil da Editora Avante em outubro de 2023, um dia após a prefeitura de Rio Negro realizar um pagamento de R$ 150 mil referente à aquisição de livros.
O relatório também apresenta conversas entre o advogado Gabriel Taquino e o ex-chefe da regulação estadual Ed Carlos, nas quais Junior aparece como participante das negociações relacionadas aos contratos e à divisão de valores.
Em um dos trechos citados pelo Gaeco, datado de 30 de maio de 2022, Ed Carlos questiona sobre os percentuais destinados a ele e a Junior, afirmando: “os 5 meu e 5 do jr está garantido no governo né”. Na sequência, Gabriel responde que seria “35”, dando continuidade à conversa sobre a divisão dos valores.
Outra troca de mensagens, registrada em agosto de 2022, menciona a entrega em espécie de R$ 52.217,75, quantia que, segundo a investigação, seria destinada ao deputado estadual e a Junior
Vasconcelos. Conforme o relatório, o dinheiro teria sido levado pessoalmente por Gabriel Taquino na presença de Ed Carlos.

Assessor parlamentar e salário na Polícia Civil
Antes da prisão, Junior atuava como assessor parlamentar no gabinete de Jamilson Name, embora permanecesse vinculado à Polícia Civil de Mato Grosso do Sul por meio de cessão funcional.
Dados do Portal da Transparência indicam que ele continua recebendo remuneração como agente de polícia judiciária, com salário fixo de R$ 9.589,75.
Defesa nega envolvimento
Em nota, o deputado estadual Jamilson Name negou qualquer participação no suposto esquema investigado pela Operação Gutenberg. O parlamentar afirmou que Junior Vasconcelos estava cedido pela Polícia Civil para exercer funções administrativas em seu gabinete e ressaltou que não possui envolvimento com os fatos apurados pelo Gaeco.
As investigações da Operação Gutenberg seguem em andamento para apurar a participação dos investigados e esclarecer a existência de um suposto esquema de fraudes em contratos públicos envolvendo a aquisição de materiais didáticos por municípios sul-mato-grossenses.


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