A partir deste sábado, os motoristas e caminhoneiros de todo o país vão presenciar nas bombas de combustível o clássico choque entre a política fiscal de Brasília e a realidade imposta pelo mercado internacional. O alívio prometido pela isenção de impostos federais sobre o diesel foi rapidamente anulado pelo anúncio de reajuste feito pela Petrobras.
O cenário expõe uma verdadeira “queda de braço” matemática. De um lado, o governo do presidente Lula anunciou a isenção do PIS e da Cofins incidentes sobre o diesel, uma manobra que retiraria cerca de R$ 0,32 do custo de cada litro. Do outro lado, a Petrobras, pressionada pela alta do petróleo no mercado externo, anunciou um reajuste de R$ 0,38 por litro vendido às distribuidoras.
A Matemática na Bomba
Na prática, o movimento cria uma anulação com saldo levemente negativo para o consumidor. O aumento aplicado nas refinarias pela estatal é superior ao desconto tributário oferecido pelo governo.
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O desconto: Queda de ~R$ 0,32 (isenção de impostos).
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O aumento: Alta de R$ 0,38 (reajuste nas refinarias).
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O resultado: O esforço do governo em abrir mão da arrecadação não vai resultar em diesel mais barato na bomba. Pelo contrário, o preço pode sofrer uma leve alta, dependendo da margem das distribuidoras.
Se o governo não tivesse zerado os tributos, o repasse integral do aumento para o consumidor poderia chegar perto da casa dos R$ 0,70 por litro, o que traria impactos drásticos para o setor de transportes e para a inflação. O Estado atuou, portanto, apenas como um “amortecedor” do impacto.
Por que a Petrobras aumentou o preço?
Segundo especialistas do setor de energia ouvidos pela reportagem, a estatal estava com seus preços defasados em relação ao mercado internacional, fortemente impactado por tensões geopolíticas e conflitos no Oriente Médio.
Manter o preço do diesel artificialmente baixo no Brasil criaria um risco iminente de desabastecimento. Isso ocorre porque cerca de 25% do diesel consumido no país é importado por empresas privadas. Se o preço interno fosse muito inferior ao cobrado lá fora, essas empresas deixariam de comprar o combustível, pois teriam prejuízo ao trazê-lo para o Brasil, secando as bombas dos postos em poucas semanas.
Impacto em cascata
Agora, o mercado acompanha de perto a reação do setor de transportes e do agronegócio. Embora o pior cenário tenha sido evitado pelo corte de impostos, a percepção de que o governo esgotou sua principal ferramenta de contenção (a isenção tributária) liga um sinal de alerta no Ministério da Fazenda sobre os próximos passos da economia e o impacto no custo dos fretes e na inflação dos alimentos.
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