A Justiça de Mato Grosso do Sul decidiu manter a prisão preventiva do empresário Ueverton da Silva Macedo, conhecido como “Frescura”, e dos empresários Gleidson Cabral Nobre e Evertom Luiz de Souza Luscero, investigados em um esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio em Sidrolândia.
A decisão foi publicada nesta quarta-feira (16) no Diário da Justiça de Mato Grosso do Sul e é assinada pelo juiz Bruce Henrique dos Santos Bueno Silva, da Vara Criminal de Sidrolândia. Conforme a decisão, apesar da necessidade de revisão periódica das prisões preventivas prevista no Código de Processo Penal, permanecem fundamentos para a manutenção das medidas cautelares diante das circunstâncias do caso.
Operação Camuflagem
Os três empresários foram presos em fevereiro deste ano durante a Operação Camuflagem, deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, com apoio do Gaeco.
A operação ocorreu em 26 de fevereiro e foi realizada como desdobramento das investigações da Operação Tromper. Segundo o MPMS, o objetivo era apurar um esquema de lavagem de dinheiro por meio da ocultação e dissimulação de bens, direitos e valores.
Na ocasião, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão, expedidos pelo Poder Judiciário. A investigação apontou, segundo o Ministério Público, a existência de uma rede formada por pessoas físicas e jurídicas que teria sido utilizada para movimentar recursos, ocultar patrimônio e tentar dificultar medidas judiciais de bloqueio de bens.
Entre os alvos estavam Ueverton da Silva Macedo, a esposa dele, Juliana Paula da Silva, a engenheira civil Flaviane Barbosa e os empresários Evertom Luiz de Souza Luscero e Gleidson Cabral Nobre.
Investigação aponta uso de terceiros e empresas
De acordo com o MPMS, os investigadores identificaram o uso de contas bancárias de terceiros, empresas registradas em nome de outras pessoas e interposição de indivíduos para realizar pagamentos e movimentações financeiras que, segundo a apuração, beneficiariam o investigado e familiares.
O Ministério Público afirma ainda que parte dessas movimentações teria ocorrido enquanto o empresário estava submetido a medidas cautelares.
A investigação também apurou uma possível utilização do setor imobiliário. Segundo informações divulgadas sobre o caso, terrenos seriam adquiridos para a construção de imóveis posteriormente colocados à venda, com participação de profissional responsável pelos projetos de engenharia.
Caso é desdobramento da Operação Tromper
A Operação Camuflagem está relacionada às investigações da Operação Tromper, que apura um esquema de fraudes em licitações e contratos públicos em Sidrolândia.
Segundo o MPMS, investigações anteriores apontaram uma organização criminosa estruturada para fraudar licitações municipais, com empresas de fachada, documentos falsificados e contratos direcionados. Em uma das ações penais decorrentes da Tromper, sete réus foram condenados em 2025, sendo que uma das penas chegou a 37 anos de prisão.
Com a decisão mais recente, Ueverton da Silva Macedo, Gleidson Cabral Nobre e Evertom Luiz de Souza Luscero permanecem presos preventivamente, enquanto o processo e as investigações relacionadas ao caso seguem em andamento.


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