“Por trás de um dependente químico existe um nome, uma história e uma mãe que ama.” É assim que começa o desabafo de uma moradora de Sidrolândia, que vive há meses um drama silencioso: a filha, menor de idade, usuária de crack, está desaparecida há 49 dias.
Segundo o relato da mãe, Valeria Ramalho, a jovem, de apenas 14 anos, está em situação de dependência química há cerca de três meses. Desde então, a mãe afirma ter buscado ajuda em diversos órgãos públicos, como CAPS, Conselho Tutelar e CREAS, mas encontrou apenas burocracia e portas fechadas. “Todos preenchem papéis, mas nada resolve. Quem sofre é a família, tentando recursos que nem tem”, desabafa.
A mãe conta que a filha chegou a pedir socorro e solicitou internação, mas foi informada de que, em Mato Grosso do Sul, menores de idade não são internados sem laudo médico. O problema, segundo ela, é que não há psiquiatra disponível na rede pública. Em uma tentativa desesperada, mostrou fotos e vídeos ao profissional de saúde, evidenciando os efeitos da droga, mas ouviu que o atendimento só poderia acontecer com a presença da jovem — algo quase impossível diante da situação de rua e instabilidade.
“Disseram para eu ir ao postinho, pegar encaminhamento, agendar e rezar para que no dia da consulta ela estivesse bem para eu conseguir levá-la”, relata, emocionada.
Sem rede de apoio, a mãe denuncia também o preconceito enfrentado. “Para a sociedade, são vistos como lixos jogados pelas ruas. Para mim, é minha filha, minha pequena, o amor da minha vida.” Além da dependência, ela teme pela segurança da jovem, ainda mais por ser menina e estar exposta a diversos tipos de violência.
Hoje, a dor se transformou em angústia. A jovem está desaparecida há 49 dias e, segundo a mãe, nenhuma autoridade deu andamento às buscas. “Essa função ficou só comigo. Estou correndo atrás sem ajuda, sem recursos, apenas com a minha fé.”
A mãe faz um apelo à população: qualquer informação que possa levar ao paradeiro da filha deve ser comunicada imediatamente. “Se alguém viu, ouviu algo, por favor, me avisem.”
Qualquer informação que possa auxiliar nas buscas pode ser repassada pelo telefone (67) 9 9174-2033 ou ligue direto para o 190.

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