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O número de suicídios entre crianças, adolescentes e jovens de 10 a 19 anos em Mato Grosso do Sul acendeu um alerta nacional. Dados do Atlas da Violência, divulgados nesta terça-feira (26), revelam que o Estado possui a terceira maior taxa do País nessa faixa etária, com 7 mortes por 100 mil habitantes em 2024.
O índice sul-mato-grossense fica atrás apenas do Amazonas, com taxa de 7,7, e do Amapá, com 7,5. O levantamento reúne dados de todo o Brasil desde 2014 e mostra que, apesar de uma queda de 16,7% na última década, os números ainda preocupam autoridades e especialistas em saúde mental.
O pior cenário em Mato Grosso do Sul foi registrado em 2017, quando a taxa chegou a 12,3 mortes por 100 mil habitantes. Já a redução mais significativa ocorreu entre 2023 e 2024, com a queda de 10,6 para 7,0.
Em números absolutos, 469 crianças, adolescentes e jovens tiraram a própria vida no Estado entre 2014 e 2024.
Outro dado que chama atenção no relatório é o crescimento explosivo das internações após tentativas de suicídio, classificadas como “lesões autoprovocadas voluntariamente”. Em 11 anos, Mato Grosso do Sul registrou aumento de 971,4% nesses atendimentos — a maior alta do Brasil.
Para efeito de comparação, a segunda maior elevação do País foi registrada na Paraíba, com crescimento de 516,7%, praticamente metade do percentual sul-mato-grossense.
O Atlas também destaca a grave situação envolvendo indígenas no Estado. Em 2024, a taxa de suicídio nessa população foi de 151,8 mortes por 100 mil habitantes, a maior do Brasil. O índice é cerca de sete vezes superior à média indígena nacional e quase 20 vezes maior do que a média da população brasileira em geral.
Somente no último ano, 42 indígenas morreram por suicídio em Mato Grosso do Sul.
O documento reforça que o suicídio é um fenômeno complexo, associado a fatores sociais, psicológicos e biológicos. Além disso, aponta que o crescimento das notificações pode indicar tanto aumento real dos casos quanto melhora nos sistemas de registro e acompanhamento.
Entre os fatores de preocupação, o Atlas destaca a influência do ambiente digital na saúde mental dos adolescentes. Segundo o estudo, a ampliação das interações nas redes sociais, aliada à exposição constante a conteúdos violentos e discursos que naturalizam desigualdades, contribui para agravar o sofrimento psíquico entre jovens.
“O crescimento das lesões autoprovocadas e sua associação com o sofrimento psíquico apontam para um cenário em que a saúde mental dos jovens se deteriora sob a influência de fatores sociais, emocionais e tecnológicos”, destaca o documento.
O Atlas da Violência é elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
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