Moradores do assentamento Eldorado, na região do Bafo da Onça, em Sidrolândia, voltaram a cobrar providências sobre as constantes quedas e oscilações de energia elétrica. Em reunião realizada no assentamento, mais de 50 pessoas relataram prejuízos e dificuldades enfrentadas diariamente, desde perda de alimentos e produtos até compromissos ainda mais graves, como o armazenamento de medicamentos que dependem de refrigeração. O encontro contou com a presença de representante da Energisa, vereadores, lideranças comunitárias, agentes de saúde e representantes do Executivo Municipal.

Segundo o vereador Márcio Kabeça, a Câmara Municipal tenta há meses aproximar a empresa da população rural para buscar soluções mais efetivas. Ele lembra que desde o início do mandato diversos pedidos de reunião foram encaminhados, mas a comunidade seguiu sem respostas concretas. “É prejuízo para quem produz e para quem vive aqui. Leite estragado, carne perdida, medicamentos comprometidos. A população paga por esse serviço e tem o direito de ter energia de qualidade”, afirmou.
Durante a reunião, moradores reforçaram a gravidade da situação. A agente de saúde Tayhara dos Santos relatou casos de famílias com crianças que tiveram a energia cortada sem aviso, mesmo sem débitos registrados. “Eu conheço as pessoas, sei da necessidade. É difícil explicar para alguém que recebe uma conta zerada e, mesmo assim, teve a luz cortada”, disse. A comunidade estima que mais de 300 famílias são afetadas diretamente.
Problemas também atingem moradores que dependem de medicamentos refrigerados. Jussara, uma das afetadas, contou que a situação já comprometeu o tratamento de vários pacientes. “Eu só acredito vendo. São muitos dias sofrendo com falta de energia. Espero que agora resolvam de verdade”, afirmou. Representando o deputado estadual Renato Câmara, a assessora parlamentar Rosineide Geraldo reforçou que as demandas já foram levadas à Energisa e voltarão a ser discutidas em reunião marcada para a próxima semana com o prefeito, vereadores e representantes da empresa.

O secretário municipal de Agricultura, Cleyton Martins, que também participou do encontro, destacou que as quedas de energia afetam não apenas os assentamentos, mas toda a região rural do município. Segundo ele, a visita do representante institucional da Energisa, Giovanni Moura, foi essencial para que a empresa pudesse ouvir de perto os relatos. Giovanni se comprometeu a realizar um levantamento completo da rede elétrica dos assentamentos e iniciar, em parceria com a prefeitura, ações de manutenção, incluindo retirada de árvores que encostam na fiação e contribuem para interrupções em dias de vento ou chuva.
As redes que atendem os assentamentos, segundo o secretário, têm entre 20 e 35 anos e já não suportam bem a demanda atual — agravada pelo crescimento da zona rural e pela instalação de novos equipamentos nas propriedades. A prefeitura informou que colocará máquinas e equipes à disposição para auxiliar os trabalhos de limpeza e manutenção, enquanto a Energisa fará as intervenções técnicas necessárias.
Embora a comunidade deixe a reunião com expectativas moderadas, o consenso é que a presença da empresa e da gestão municipal é um avanço. A próxima reunião, marcada para a semana seguinte, deve definir o cronograma de ações para tentar, enfim, estabilizar o fornecimento de energia na região.
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