Mais de 60 corpos foram levados para a Praça São Lucas, no Complexo da Penha, entre a noite de ontem e a manhã de hoje, um dia após a operação mais letal da história do Rio de Janeiro. Número de vítimas passa de 100.
O que aconteceu
No começo da manhã, 65 corpos foram deixados na praça à medida que eram recuperados por moradores. Ao menos 25 deles estavam em uma área de mata, no alto da Serra da Misericórdia, além de outras regiões. O UOL presenciou familiares de alguns dos assassinados acompanhando, em desespero, a remoção e contagem das vítimas.
Corpos não estão na contagem oficial dos 64 mortos confirmados pelo governo do Rio ontem. A informação de que os corpos não fazem parte da contagem oficial foi confirmada pelo comandante da Polícia Militar do Rio à TV Globo na manhã de hoje. Ele disse, porém, que não é possível até o momento confirmar que as mortes têm ligação com a operação.
Além dessas vítimas, outras seis pessoas mortas foram deixadas por um carro na porta do Hospital Getúlio Vargas na madrugada. O local também recebeu os feridos da operação de ontem, mas não deu atualização sobre o estado de saúde deles até o momento.
A retirada dos corpos foi feita com rabecões da Defesa Civil, dirigidos por bombeiros militares. A equipe do UOL não presenciou nenhum policial no local durante a remoção dos mortos na manhã de hoje.

Mortos estão com marcas de tiros na nuca e marcas de facadas, afirmou testemunha. IML foi fechado para receber somente os corpos das vítimas da operação hoje. Segundo a PCERJ, todos os outros corpos que precisarem passar por necropsia no Rio serão levados para o IML de Niterói.
A Zona Norte do Rio amanheceu com menos carros na rua do que a média para uma quarta e pontos de ônibus vazios. Num percurso de 13km pela região, a reportagem identificou viaturas em 12 pontos diferentes. Linha Amarela, Avenida Braz de Pina e outras vias próximas aos Complexos da Penha e do Alemão concentravam o policiamento. O clima ainda é tenso e um carro branco queimado atrás de barricadas bloqueia uma das entradas da Vila Cruzeiro.
Operação mais letal da história

Uma megaoperação ontem prendeu mais de 80 suspeitos de integrar o CV e resultou na morte de ao menos 64 pessoas. Com isso, se tornou a ação policial mais letal da história do estado fluminense.
Outras nove pessoas foram baleadas: três moradores e seis agentes, quatro civis e dois militares. Entre os mortos, segundo a polícia, estão lideranças da facção em outros estados que estavam refugiados na região.
Número de mortos na Operação Contenção superou o da ação policial na favela do Jacarezinho, em 2021. Em 6 de maio daquele ano, a incursão na comunidade da zona norte do Rio terminou com 28 pessoas mortas e se tornou a mais letal do estado até então.
Ação mobilizou 2.500 agentes para cumprir mandados de busca e apreensão em localidades da capital fluminense. A ação é resultado de um ano de investigação envolvendo, também, o Ministério Público do Rio de Janeiro e busca desarticular lideranças do CV.
Polícia prendeu Thiago do Nascimento Mendes, o “Belão do Quitungo”, homem de confiança de Doca, um dos líderes do CV nas ruas. Ao todo, 81 pessoas foram presas até o momento — incluindo lideranças da facção de outros estados. Pelo menos 75 fuzis e rádios comunicadores também foram levados pelos agentes, segundo divulgado pelo governo fluminense. Mais de 200 kg de drogas foram apreendidas, de acordo com a polícia.
Com informações UOL
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