Mato Grosso do Sul ocupa uma posição preocupante no cenário nacional quando o assunto é bullying nas escolas. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada pelo IBGE, o Estado lidera o ranking de estudantes entre 13 e 17 anos que admitem humilhar colegas por conta de algum tipo de deficiência.
Entre os jovens que confessaram praticar bullying, 12,3% afirmaram que a motivação foi justamente a presença de deficiência na vítima. O dado coloca o Estado no topo dessa estatística, evidenciando um problema grave de respeito e inclusão no ambiente escolar.
Outro fator que chama atenção é a aparência física. Em Mato Grosso do Sul, 21,3% dos estudantes disseram que o corpo do colega foi motivo de humilhação, índice que posiciona o Estado como o segundo maior do país nesse quesito.
A situação é ainda mais crítica na Capital. Campo Grande lidera entre as capitais brasileiras quando o motivo das agressões envolve roupas, calçados, mochila ou material escolar, com 20,1%. Além disso, a cidade ocupa o segundo lugar em casos de bullying motivados por sotaque ou forma de falar, com 19,2%.
Do lado das vítimas, os números também preocupam. Em Mato Grosso do Sul, 27,8% dos estudantes relataram ter sido humilhados por causa da aparência do corpo, o que coloca o Estado na segunda posição nacional. Em Campo Grande, esse índice é ainda maior: 28,3%, o mais alto entre todas as capitais.
A pesquisa também revela um impacto significativo na autoestima dos jovens, principalmente entre as meninas. Entre estudantes do sexo feminino, 38,9% afirmaram não estar satisfeitas com o próprio corpo, enquanto entre os meninos o percentual é de 20,7%. No total, 29,5% dos adolescentes disseram estar insatisfeitos com a própria imagem — o segundo maior índice do Brasil.
Apesar disso, 56,1% dos estudantes afirmaram estar satisfeitos ou muito satisfeitos com o próprio corpo, colocando Mato Grosso do Sul na quinta posição entre os estados com maior nível de satisfação.
Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas e ações educativas voltadas à promoção do respeito, da inclusão e da saúde mental nas escolas, além de um olhar mais atento para o combate ao bullying em suas diversas formas.
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