A cidade de Bonito (MS), principal destino de ecoturismo do Brasil, vive um momento de tensão entre a administração pública e o setor produtivo. A Prefeitura anunciou que, a partir de 20 de dezembro, começará a cobrar a Taxa de Conservação Ambiental (TCA) no valor de R$ 15 por pessoa, por dia. A medida, no entanto, provocou reação imediata de empresários, hoteleiros e moradores, que relatam desistências de turistas e temem um colapso na alta temporada.
Como funciona a nova taxa
De acordo com a administração municipal, a tarifa tem como objetivo financiar a preservação ambiental, gestão de resíduos e melhorias na infraestrutura urbana e rural. O pagamento deverá ser feito exclusivamente online, pelo portal turistapornatureza.com.br.
Como contrapartida, a taxa oferece ao turista um seguro obrigatório com cobertura durante a estadia, incluindo:
-
Indenização por morte acidental ou invalidez (até R$ 20 mil);
-
Auxílio-funeral (até R$ 5 mil);
-
Reembolso de hospedagem em caso de acidentes (até R$ 900);
-
Atendimento pré-hospitalar e transporte.
Estão isentos da cobrança crianças menores de 7 anos, além de moradores e trabalhadores de Bonito, mediante comprovação. A Prefeitura argumenta que o modelo segue exemplos de sucesso como Fernando de Noronha e Jericoacoara.
Impacto econômico e cancelamentos
Apesar das justificativas oficiais, o anúncio feito a poucos dias do início da cobrança caiu como uma bomba no setor econômico. Segundo o trade turístico, o efeito foi instantâneo: famílias que já tinham viagens planejadas começaram a cancelar reservas.
Relatos de agentes de viagens indicam que turistas se sentem lesados pelo custo extra, somado aos valores já elevados dos passeios em propriedades privadas. Entre os casos citados pelo setor, há o de uma família de sete pessoas que cancelou a viagem de Réveillon e de um turista frequente, que visitaria a cidade pela quarta vez em fevereiro, mas desistiu após saber da nova cobrança.
“Algumas famílias nos ligaram indignadas, dizendo que não aceitariam mais um custo extra. Já tivemos cancelamentos concretos desde o anúncio”, afirma um agente de viagens local.
A preocupação é agravada pelo cenário econômico atual. Empresários apontam que novembro de 2025 já vinha sendo o pior mês de movimento da última década. A introdução da taxa neste momento é vista como um “tiro no pé” que pode prejudicar a recuperação de uma cidade onde 80% dos empregos dependem direta ou indiretamente do turismo.
Mobilização e Protesto
O clima de descontentamento uniu hoteleiros, donos de restaurantes, guias e moradores. O temor é que a imagem de hospitalidade de Bonito seja substituída pela percepção de um destino financeiramente inviável e burocrático.
Diante da situação, um grande grupo formado pelo trade turístico e população local convocou uma manifestação para esta segunda-feira, às 10h, na Câmara Municipal. O objetivo é pressionar os vereadores e o Executivo para que a medida seja revista antes que os danos à alta temporada se tornem irreversíveis.
Deixe um comentário