quinta-feira , 23 de abril de 2026
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Com apoio do Governo de MS, tecnologia pode tornar quimioterapia mais eficaz e menos agressiva

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Com apoio do Governo de MS, tecnologia pode tornar quimioterapia mais eficaz e menos agressiva
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Pesquisa desenvolvida em Mato Grosso do Sul reduziu o crescimento de tumores em até 99% em testes experimentais e aponta para uma nova estratégia capaz de tornar a quimioterapia mais eficaz e menos agressiva ao organismo. O estudo utiliza nanotecnologia para direcionar o medicamento diretamente às células cancerígenas, mantendo o efeito do tratamento com doses menores e maior seletividade.

A pesquisa é conduzida na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), com apoio do Governo do Estado, por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) e da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul). O projeto avançou no desenvolvimento de uma nova forma de transporte de medicamentos utilizados na quimioterapia, etapa fundamental para que o fármaco circule pelo organismo e alcance a célula doente.

O estudo foi contemplado pela Chamada Especial Fundect/UFMS 23/2022 – Atração de Recém-doutores para Mato Grosso do Sul, com recursos da Fundect, e também recebeu investimentos do Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS), iniciativa voltada ao fortalecimento da pesquisa científica aplicada à saúde pública em parceria com o Ministério da Saúde.

A tecnologia desenvolvida trabalha com nanopartículas produzidas a partir de sílica, estruturas extremamente pequenas, milhares de vezes mais finas que um fio de cabelo. Essas partículas funcionam como “veículos” que transportam os quimioterápicos pelo corpo até as células cancerígenas. Com isso, é possível preservar a atividade anticâncer dos medicamentos utilizando concentrações menores.

“O planejamento do tamanho e da morfologia da matriz carreadora, assim como a adição dos fármacos, foi bem-sucedido, mantendo a atividade anticâncer dos medicamentos e reduzindo as concentrações necessárias”, afirma o professor da UFMS Marcos Utrera Martines, responsável pela pesquisa.

Nos testes laboratoriais, as nanopartículas demonstraram alta capacidade de impedir a multiplicação das células tumorais e maior seletividade, atuando de forma mais intensa sobre células cancerígenas do que sobre células saudáveis. Esse resultado indica potencial para reduzir efeitos colaterais comuns da quimioterapia convencional.

Em etapa posterior, os pesquisadores avaliaram o desempenho da tecnologia em testes experimentais voltados à análise do crescimento e do peso dos tumores. As nanopartículas contendo citarabina e doxorrubicina apresentaram os melhores resultados, alcançando redução do crescimento tumoral de até 99,6% e diminuição do peso dos tumores superior a 90%.

O estudo também incorporou o uso de ácido fólico como estratégia de direcionamento. Muitas células cancerígenas apresentam grande quantidade de receptores dessa substância, o que facilita a condução preferencial do medicamento até o tumor. “O ácido fólico é usado como direcionador de fármacos porque diversas células cancerígenas superexpressam receptores de folato na sua superfície”, explica o professor Martines.

Além dos resultados científicos, o projeto já resultou em pedidos de patentes e apresenta potencial de transferência tecnológica para o setor produtivo e para o Sistema Único de Saúde (SUS), seja por meio de parcerias para o desenvolvimento produtivo, seja pela criação de empresas de base tecnológica. A expectativa da equipe é que a continuidade dos estudos contribua para ampliar o acesso a tratamentos mais eficientes e com menor impacto ao organismo.

“Ao apoiar projetos como este, a Fundect fortalece a pesquisa científica em Mato Grosso do Sul, estimula a formação de pesquisadores qualificados, atraindo mais doutores para nosso Estado, e contribui para o desenvolvimento de tecnologias com potencial de aplicação futura no Sistema Único de Saúde”, afirma Cristiano Carvalho, diretor-presidente da Fundect.

Série “MS ama Ciência”

A partir desta publicação, a Fundect inicia a série de reportagens Fundect: MS ama Ciência. O objetivo é divulgar pesquisas apoiadas pela Fundação que já apresentam resultados com potencial de impacto para a sociedade. Ao longo das publicações, serão detalhados os relatórios técnicos dos projetos financiados, acompanhados de entrevistas com os pesquisadores responsáveis, destacando como o investimento público em ciência tem contribuído para o desenvolvimento científico e tecnológico em Mato Grosso do Sul.

Com Assessoria de Comunicação Fundect

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