O vereador Cledinaldo Marcelino Cotócio é citado em trechos de uma representação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) que detalha suspeitas de pagamentos e articulações políticas investigadas no âmbito da Operação Dirty Pix. O documento, protocolado na Justiça em agosto de 2026, descreve conversas entre o parlamentar e Jacob Meeuwis Breure, então presidente da Sociedade Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, responsável pela gestão do hospital de Sidrolândia.
De acordo com a investigação, as comunicações analisadas pelos promotores indicariam uma relação financeira entre os dois, com solicitações de transferências, pagamentos realizados por intermediários e cobranças identificadas nas conversas como “aluguel”.

Ministério Público aponta transferência de R$ 22 mil
Um dos episódios descritos no documento ocorreu em junho de 2022. Segundo a representação, Jacob Breure determinou à funcionária responsável pelo setor financeiro de uma empresa ligada a ele que realizasse uma transferência de R$ 22 mil para uma chave PIX pertencente ao vereador Cledinaldo Cotócio.
Conforme o Ministério Público, o pagamento teria sido justificado internamente como um acerto envolvendo Rogério de Menezes e Lúcio Mauro Borges Basso.
Para os investigadores, as mensagens e movimentações financeiras levantadas indicariam o uso de terceiros na circulação de valores relacionados ao núcleo investigado.
Conversas mencionam cobranças de “aluguel”
Ainda conforme a representação, as cobranças financeiras teriam se repetido ao longo dos meses seguintes. Em junho de 2022, Cledinaldo teria procurado Jacob novamente para cobrar um valor descrito nas conversas como “aluguel”, encaminhando, dessa vez, sua própria chave PIX.

O Ministério Público afirma que parte dos pagamentos era operacionalizada por funcionários e sócios ligados a Jacob Breure. Na avaliação dos investigadores, essa dinâmica poderia dificultar o rastreamento das movimentações financeiras e a identificação dos destinatários dos valores.
A representação também situa a relação entre Jacob e o vereador em um contexto mais amplo de suspeitas de articulação política na Câmara Municipal de Sidrolândia.
Investigação apura possível articulação política
A Operação Dirty Pix teve origem em informações sobre transferências bancárias que teriam beneficiado vereadores de Sidrolândia, com a suspeita de que os repasses buscavam influenciar a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal.
Segundo o Ministério Público, o aprofundamento das apurações identificou possíveis conexões entre pagamentos a agentes políticos, contratos financiados com recursos públicos estaduais e movimentações financeiras ligadas à administração do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa.
A investigação também abrange suspeitas relacionadas à aquisição de equipamentos hospitalares, incluindo um aparelho de ressonância magnética e uma autoclave, além de recursos destinados à reforma da unidade de saúde.
Vereador permaneceu em silêncio durante interrogatório
O documento registra que Cledinaldo Cotócio compareceu à 3ª Promotoria de Justiça de Sidrolândia em 25 de novembro de 2025, acompanhado de advogado, para ser interrogado em um procedimento investigatório criminal.
Segundo o termo anexado aos autos, o vereador manifestou o desejo de exercer seu direito constitucional de permanecer em silêncio.


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