Claudinho Serra, 33 anos (PSDB), usava o pai, Cláudio Jordão de Almeida Serra, 64, para comprar gado com o suposto dinheiro proveniente da propina, revendia o gado para o frigorífico e o frigorífico depositava o dinheiro na conta do ex-vereador. A manobra tinha o objetivo de lavar o dinheiro desviado da Prefeitura Municipal de Sidrolândia, misturar com o dinheiro lícito e dificultar a investigação, de acordo com o Ministério Público Estadual.
O sistema adotado pelo tucano é descrito na denúncia por lavagem de dinheiro e corrupção passiva protocolada na Vara Criminal de Sidrolândia pelos promotores Bianka Mendes, Adriano Lobo Viana de Resende e Humberto Lapa Ferri.
Conforme a denúncia, a propina era paga pelas empreiteiras AR Pavimentação Pavimentação e Sinalização, de Edmilson Rosa, e GC Obras, de Cleiton Nonato Correia, e repassado para Thiago Rodrigues Alves. O segundo empreiteiro está preso desde 5 de junho deste ano, junto com Claudinho e o ex-assessor, Carmo Name Júnior. Eles tiveram a prisão mantida na terça-feira (7) pela 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.
Uma das empresas usadas para a lavagem do dinheiro é a Buriti Comércio de Carnes, de Aquidauana, que foi alvo da Operação Vostok e denunciada por integrar o suposto esquema do ex-governador Reinaldo Azambuja (PSDB). O cacique tucano foi denunciado por ter recebido R$ 67,7 milhões em propina da JBS entre 2014 e 2016.
O esquema dos Cláudios
Conforme o MPE, com o dinheiro da propina, Cláudio Serra comprova gado para a Fazenda Divisa, em Anastácio. Ele vendeu 21 bovinos de 25 e 36 meses para o Buriti Comércio de Carnes. Um dos casos citados ocorreu no dia 11 de abril de 2023, a empresa fez dois depósitos, de R$ 80 mil e R$ 27.781,18, na conta de Claudinho Serra. Só que o ex-vereador não tinha entregue nenhuma cabeça de gado para o frigorífico.
“E para ocultar a origem ilícita desses valores, Claudio Serra – pai – adquiria gado em seu próprio nome. Posteriormente, o denunciado Cláudio Serra Filho realizava a venda desses animais, para simular atividade econômica lícita de pecuária, a fim de justificar a entrada de recursos no seu patrimônio”, destacam os promotores de Justiça.
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