A distribuidora de equipamentos médico-hospitalares Pharbox, citada na Operação Dirty PIX, do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, se manifestou negando qualquer prática irregular na venda de dois equipamentos ao Hospital Municipal Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia. A empresa, sediada no Amazonas, divulgou uma nota afastando sua responsabilidade sobre repasses investigados pelo MPMS, que envolvem políticos da cidade e ex-dirigentes da unidade de saúde.
A Pharbox foi mencionada na investigação por supostamente ter realizado, direta ou indiretamente, transferências via PIX a vereadores — atuais e ex-parlamentares — e ao então presidente do hospital, Jacob Breure. No comunicado, porém, a distribuidora afirmou que não efetuou nenhum pagamento a políticos ou gestores, destacando que não responde pelo uso de comissões comerciais feitas por terceiros.
Segundo a nota, a empresa vendeu ao município uma Ressonância Magnética Siemens de 1,5T e uma Autoclave Industrial, ambos entregues em setembro de 2023. A Pharbox explicou que sua representação em Mato Grosso do Sul atuava de maneira independente, embora a transação tenha sido autorizada pelo setor comercial da matriz. A distribuidora acrescentou que todas as etapas de implantação, incluindo parcelas pagas ao fabricante, foram devidamente cumpridas.
Um dos pontos mais contundentes do comunicado é a acusação de que a empresa foi pressionada pela direção do hospital a arcar com custos adicionais que não faziam parte do contrato original. A Pharbox afirma ter custeado as despesas da obra da sala onde os equipamentos foram instalados, além do projeto técnico exigido pela diretoria.
De acordo com a nota, a direção teria condicionado o aceite dos equipamentos à realização dessas obras, o que a empresa classificou como “forma clara de chantagem”. A distribuidora relata que aceitou a imposição para evitar prejuízo ainda maior.
A Pharbox também informou que rompeu relações comerciais em Mato Grosso do Sul por motivos de compliance e por erros de conduta da equipe local, que teriam causado dano financeiro à distribuidora.
Sobre a Operação Dirty PIX
Deflagrada em 18 de novembro pelo Ministério Público Estadual, a Operação Dirty PIX cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em Sidrolândia e Manaus (AM). A investigação apura crimes de peculato, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro envolvendo a administração do Hospital Elmíria Silvério Barbosa, representantes de uma fornecedora de equipamentos hospitalares e vereadores do município.
Segundo o MPMS, houve o desvio de R$ 5,4 milhões de recursos enviados pelo Governo do Estado ao município para a compra da ressonância magnética e do autoclave. Parte do valor teria sido desviada em conluio entre dirigentes do hospital e envolvidos na negociação, incluindo pagamentos de vantagens indevidas a parlamentares locais.
As investigações seguem em andamento.
Deixe um comentário