Nessa terça-feira, 26 de agosto de 2025, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), embarcou em missão oficial ao México com o objetivo de intensificar a cooperação política e comercial entre os dois países — estratégia considerada vital para amenizar os efeitos do chamado “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Comitiva altamente representativa
A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, também integra a comitiva, destacando a parceria federativa na missão. Junto a ela, viajam o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro; a secretária‐geral do Ministério das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha; além de dirigentes de órgãos estratégicos, como:
- ApexBrasil (Jorge Viana)
- Conab (Edegar Pretto)
- Anvisa (Leandro Safatle)
- Representantes do Ministério da Saúde, Fiocruz e Instituto Butantan
- Empresários apoiados pela CNI (Confederação Nacional da Indústria)
Agenda intensa de negociações e parcerias
A programação contempla a participação de Alckmin no Fórum Empresarial Brasil-México, organizado pela ApexBrasil para 27 de agosto, reunindo cerca de 250 empresários de ambos os países. A comitiva também fará visitas técnicas a setores como indústria aeroespacial, transição energética, tecnologia, alimentos e bebidas, com o objetivo de destravar novas oportunidades de negócios.
O ponto alto da agenda será na quinta-feira, 28 de agosto, com uma reunião no Palácio Nacional com a presidente do México, Claudia Sheinbaum. Além de aspectos comerciais, a pauta inclui temas como segurança alimentar e transição energética.
Causas e contexto da missão
A missão ao México ocorre em um momento de tensão comercial: os Estados Unidos impuseram tarifas de até 50% sobre diversos produtos brasileiros, afetando setores como café, têxteis, calçados, frutas e carne. Diante disso, o governo Lula busca diversificar mercados e reduzir a dependência do mercado americano.
Panorama do comércio bilateral
Em 2024, o intercâmbio comercial entre Brasil e México atingiu US$ 13,6 bilhões, com exportações brasileiras para o México de US$ 7,8 bilhões e importações de US$ 5,8 bilhões. Os principais produtos brasileiros exportados foram:
- Automóveis de passeio – US$ 715,4 milhões
- Carnes de aves e miúdos – US$ 563,7 milhões
- Veículos para transporte de mercadorias – US$ 507 milhões
Já o Brasil importou principalmente:
- Partes e acessórios de veículos – US$ 849 milhões
- Automóveis de passageiros – US$ 757,8 milhões
- Veículos para transporte de mercadorias – US$ 264,2 milhões
Oportunidades no horizonte
Segundo estudos da ApexBrasil, existem 434 produtos com alto potencial de exportação para o México, especialmente em setores como veículos, máquinas, equipamentos de geração de energia, produtos químicos e alimentos e bebidas. Com a preparação mexicana para a Copa do Mundo de 2026 e a modernização de sua infraestrutura, o Brasil se destaca em competitividade em setores como materiais de construção, iluminação, equipamentos esportivos e soluções sustentáveis (.
Trechos emblemáticos
- A ministra Simone Tebet definiu o momento como uma oportunidade estratégica para “lutar por soberania nacional” e valorizar a parceria com o México.
- Alckmin ressaltou a importância de “destravar oportunidades em áreas como indústria, agronegócio e saúde”, com vistas a promover a integração produtiva regional.
Conclusão
Em plena crise tarifária promovida pelos EUA, a missão liderada por Alckmin e com participação de Simone Tebet representa uma estratégia clara de resiliência e projeção do Brasil na América Latina. Reforçando alianças com o México, o governo busca não apenas diversificar mercados, mas também consolidar uma balança comercial mais robusta e sustentável, alinhada aos interesses nacionais e à modernização econômica.
@Correio do Estado, @Exame @O Jacaré @UOL Economia
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