A Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim) pediu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em nota divulgada nesta quarta-feira (2). A manifestação ocorre após a divulgação de conversas atribuídas ao ministro e a Daniel Vorcaro, investigado no caso envolvendo o Banco Master.
Segundo a entidade, os fatos divulgados são graves e justificam uma manifestação institucional em defesa da credibilidade do Supremo e das instituições democráticas.
O presidente nacional da Abracrim, Sheyner Asfóra, afirmou que a decisão foi tomada após consultas à Diretoria Nacional, ao Conselho Superior e às presidências estaduais da associação.
“Após ouvir a Diretoria Nacional, o Conselho Superior e as presidências estaduais da entidade, entendemos ser necessário nos manifestarmos institucionalmente diante dos graves fatos que abalam a credibilidade do STF e os pilares da democracia”, declarou.
Além do pedido relacionado a Alexandre de Moraes, o procurador-geral da Abracrim, Aury Lopes Jr., defendeu também o afastamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, durante o período de apuração.
De acordo com Aury, a medida seria necessária para garantir maior transparência às investigações e preservar a credibilidade das instituições envolvidas.
Conversas vieram à tona em relatório da PF
A manifestação da Abracrim ocorre após a divulgação de informações sobre um relatório da Polícia Federal que teria reunido conversas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, as mensagens mostram interações entre os dois e teriam ocorrido antes da primeira prisão de Vorcaro, em meio ao avanço das investigações sobre o Banco Master.
Em uma mensagem datada de 30 de outubro de 2025, Vorcaro teria solicitado a Moraes que reforçasse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, que delegados e procuradores não adotassem medidas que, na avaliação dele, prejudicassem o Banco Master.
O conteúdo das mensagens passou a gerar novos questionamentos sobre a relação entre o ministro e o empresário investigado, além de provocar manifestações de entidades ligadas ao meio jurídico.
A Abracrim sustenta que a apuração dos fatos deve ocorrer com independência e transparência, destacando que sua manifestação tem como objetivo, segundo a entidade, preservar a integridade das instituições e a confiança da sociedade no Poder Judiciário.
As acusações e interpretações sobre as conversas ainda estão sujeitas à apuração pelas autoridades competentes.

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