O advogado Wellison Muchiutti Hernandes, que representa o diretor-presidente do Hospital Beneficente Elmíria Silvério Barbosa, Jacob Breurer, afirmou nesta quarta-feira (7) que o empresário está disposto a colaborar com as investigações da Operação Dirty Pix. Segundo a defesa, o cliente “não vai esconder nada” e permanece à disposição das autoridades.

Breurer foi um dos três presos durante a segunda fase da operação, deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), em Sidrolândia.
De acordo com as investigações, Jacob é apontado como um dos principais envolvidos em um suposto esquema que teria desviado mais de R$ 18 milhões em recursos públicos destinados à saúde. O dinheiro seria utilizado na aquisição de equipamentos, materiais hospitalares, estrutura para UTI móvel e obras de reforma do hospital.
Além de Jacob Breurer, também foram presos o ex-assessor e articulador político Júlio César Alves da Silva e a policial civil Cristina Rosa Gomes de Carvalho, que foi candidata a vereadora nas eleições de 2024 e terminou o pleito como suplente.
Defesa diz que ainda não teve acesso aos autos
O advogado Wellison Muchiutti Hernandes afirmou que ainda não teve acesso aos autos da investigação e, por isso, não soube informar quais foram os fundamentos utilizados para justificar a prisão de seu cliente.
Segundo ele, Jacob respondeu aos questionamentos feitos durante a ação e não pretende ocultar informações.
A defesa também negou, neste momento, qualquer relação ilícita entre Jacob e os outros dois presos. Conforme o advogado, o empresário não teria contato com Júlio César há aproximadamente dois anos.
Sobre Cristina Rosa, Wellison afirmou que a relação seria decorrente da própria função exercida pela policial. “Ela é agente da Polícia Civil e atende todo mundo”, declarou.
O advogado também disse não identificar, até o momento, uma ligação ilícita entre as partes.
Investigação aponta uso de Pix para desviar recursos
Segundo o Gaeco, o esquema investigado teria utilizado empresas previamente alinhadas para direcionar contratações realizadas com recursos públicos.
As apurações apontam que bens e serviços teriam sido superfaturados, permitindo que parte dos valores fosse desviada e posteriormente transferida por meio de Pix para agentes públicos, empresários e operadores apontados como integrantes do esquema.
Ainda conforme a investigação, o grupo teria adotado medidas para tentar obstruir o avanço das apurações.
Primeira fase investigou desvio de R$ 5,4 milhões
A primeira fase da Operação Dirty Pix foi deflagrada em novembro de 2025, também pelo Gecoc, com apoio do Gaeco. Na ocasião, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão em Sidrolândia e Manaus.
As investigações tiveram como ponto de partida um convênio firmado em 2022 entre o Governo de Mato Grosso do Sul e a Sociedade Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, responsável pela administração do hospital.
Na primeira fase, os investigadores apontaram um possível desvio de aproximadamente R$ 5,4 milhões, envolvendo a direção do hospital e a empresa Pharbox Distribuidora Farmacêutica de Medicamentos.
Conforme as apurações divulgadas na época, parte dos valores teria sido transferida por Pix, diretamente ou por intermédio de terceiros, para vereadores e para o então presidente da instituição, Jacob Breurer, como suposto pagamento de vantagens indevidas.
Entre os alvos daquela etapa estavam políticos, empresários, empresas, secretários municipais, vereadores e ex-vereadores.
*Com informações jornal Midiamax*
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