O governo federal oficializou nesta quinta-feira (17) um reajuste de 15,04% no Bolsa Família, elevando o valor mínimo pago por família de R$ 600 para R$ 691. Os novos valores terão efeitos financeiros a partir de 1º de outubro.
A mudança foi publicada em decreto na edição extra do Diário Oficial da União e também atualiza os benefícios adicionais pagos de acordo com a composição familiar.
O benefício de renda de cidadania, destinado a cada integrante da família, passará de R$ 142 para R$ 164. Já o adicional da Primeira Infância, pago para crianças de até sete anos incompletos, subirá de R$ 150 para R$ 173. O benefício variável familiar, destinado a determinados integrantes, como gestantes, nutrizes, crianças e adolescentes, passará de R$ 50 para R$ 58.
Como funciona o novo piso
Na prática, o valor recebido por cada família continuará variando conforme o número de integrantes e a composição familiar. Os R$ 691 funcionam como garantia mínima: quando a soma dos benefícios individuais não alcançar esse valor, o governo fará a complementação necessária.
O reajuste considera a variação acumulada do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) entre março de 2023 e agosto deste ano.
Mais de 184 mil famílias atendidas em MS
Em Mato Grosso do Sul, o Bolsa Família alcançava 184.860 famílias nos 79 municípios, conforme dados estaduais de maio. Naquele mês, foram destinados R$ 128,5 milhões ao programa no Estado.
O benefício médio estadual era de R$ 696,37 por família, valor já superior ao antigo piso de R$ 600 devido aos adicionais vinculados à composição familiar.
Campo Grande concentrava o maior número de beneficiários, com 47.573 famílias, seguida por Dourados (13.027), Corumbá (9.191), Ponta Porã (8.781) e Três Lagoas (7.178).
Entre os municípios sul-mato-grossenses, Paranhos registrava o maior benefício médio, de R$ 804,74 por família.
Os adicionais também representam uma parcela importante dos pagamentos no Estado. Em maio, 110,8 mil crianças recebiam o Benefício Primeira Infância. Também estavam registrados pagamentos para 7.356 gestantes, 4.128 nutrizes e 167,9 mil crianças e adolescentes.
Impacto nas contas públicas
Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o reajuste deverá representar um custo adicional de aproximadamente R$ 5,8 bilhões ainda em 2026 e cerca de R$ 22 bilhões em 2027, quando os novos valores serão aplicados durante todo o ano.
O piso de R$ 600 estava sem reajuste desde a reformulação do programa, em 2023. Com a atualização, o benefício médio nacional, atualmente em torno de R$ 675, deverá chegar a aproximadamente R$ 777.
Atualmente, o Bolsa Família atende mais de 19 milhões de famílias em todo o Brasil.
Quem tem direito
Para receber o benefício, a principal regra é possuir renda mensal de até R$ 218 por pessoa da família. Também é necessário estar inscrito no CadÚnico e cumprir as condicionalidades previstas pelo programa, incluindo compromissos relacionados à saúde e à educação, como vacinação, acompanhamento pré-natal e frequência escolar.
O reajuste ocorre em 2026, ano eleitoral, contexto em que mudanças no valor do programa também ganham relevância no debate público. O piso de R$ 600 havia sido estabelecido em 2022 e posteriormente mantido na reformulação do Bolsa Família em 2023, quando foram incorporados benefícios adicionais conforme a composição das famílias.


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