O ex-vereador de Campo Grande e ex-secretário municipal Claudinho Serra informou à Justiça uma mudança de endereço enquanto responde a processo relacionado à Operação Tromper, investigação que apura supostos desvios milionários e fraudes em contratos públicos de Sidrolândia.
Segundo a comunicação apresentada ao Judiciário, Claudinho deixou o apartamento de alto padrão onde morava no Jardim dos Estados e passou a residir em uma mansão localizada no Alphaville I, um dos condomínios mais luxuosos de Campo Grande.
A atualização do endereço faz parte das medidas cautelares impostas pela Justiça. Entre as obrigações está o comparecimento mensal em juízo, como alternativa à prisão preventiva, além da necessidade de manter o endereço atualizado e permanecer à disposição das autoridades.
Durante as investigações da Operação Tromper, Claudinho Serra chegou a ser preso duas vezes. Posteriormente, foi colocado em liberdade e passou a cumprir medidas cautelares. Atualmente, segundo as informações do processo, não utiliza mais tornozeleira eletrônica.
Conta bancária tinha apenas R$ 410
Um dos episódios que ganhou destaque durante a investigação ocorreu quando a Justiça tentou bloquear valores nas contas de Claudinho Serra. Na ocasião, foram encontrados apenas R$ 410,62.
O baixo saldo chamou a atenção dos investigadores diante do padrão de vida atribuído ao político, que residia em imóvel de alto padrão e utilizava veículos considerados de luxo. A situação chegou a levantar a suspeita de que o patrimônio poderia estar sendo esvaziado para dificultar eventuais bloqueios e ressarcimentos aos cofres públicos.
Entretanto, o ministro Messod Azulay Neto, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ponderou que a existência de apenas R$ 410,62 na conta bancária, por si só, não permitiria concluir que Claudinho estaria esvaziando seu patrimônio. A questão esteve entre os fundamentos analisados no processo envolvendo sua segunda prisão.
Processo da Tromper avança para fase de audiências
Enquanto Claudinho segue cumprindo as medidas determinadas pela Justiça, a ação penal referente à quarta fase da Operação Tromper avança para a etapa de audiências.
Um dos depoimentos aguardados é o do ex-chefe de compras da Prefeitura de Sidrolândia, Tiago Basso da Silva, que é delator no caso.
Ao todo, 21 réus respondem a processo relacionado às investigações sobre supostas fraudes em contratos de obras no município.
Entre os denunciados estão ex-servidores públicos, empresários, assessores parlamentares e outros envolvidos apontados pela investigação.
Primeiras condenações já ultrapassaram 111 anos de prisão
A Operação Tromper já resultou em condenações em processos anteriores.
Em agosto de 2025, cinco empresários e dois servidores municipais foram condenados a um total de 111 anos e 11 meses de prisão por crimes como corrupção, peculato, organização criminosa e fraude em licitações.
As decisões também determinaram o ressarcimento aos cofres públicos de R$ 349.953,02, acrescidos de juros e correção monetária.
Entre os condenados, Ueverton da Silva Macedo, conhecido como Frescura, recebeu a maior pena: 37 anos, 10 meses e 8 dias de prisão. Ricardo José Rocamora Alves foi condenado a 28 anos, três meses e 20 dias.
Também foram condenados Roberto da Conceição Valençuela, Odinei Romero de Oliveira, Ewerton Luiz de Souza Luscero, além dos servidores Flávio Trajano Aquino dos Santos e César Augusto dos Santos Bertoldo.
Prisões ocorreram em junho de 2025
Claudinho Serra foi preso em 5 de junho de 2025 durante uma nova fase da Operação Tromper. Na mesma ocasião, também foram presos o então assessor Carmo Name Júnior e o empreiteiro Cleiton Nonato Correia, da GC Obras.
Os três posteriormente foram colocados em liberdade.
A investigação apontou, entre outros elementos, a discrepância entre o padrão de vida atribuído ao político e o baixo saldo encontrado em sua conta bancária como um dos fatores considerados para justificar medidas mais rígidas.
O processo, entretanto, segue em andamento, e as acusações contra os réus ainda serão analisadas pela Justiça no decorrer da ação penal.
Enquanto isso, Claudinho Serra permanece submetido às medidas cautelares determinadas pelo Judiciário e continua exercendo atividades como produtor rural.
*Com informações jornal Midiamax*


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