O sacerdote Frei Gilson da Silva Pupo Azevedo foi denunciado ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) nesta terça-feira (5) por supostas falas discriminatórias direcionadas à comunidade LGBT+ e às mulheres. A representação foi protocolada pelo ex-noviço e jornalista Brendo Silva, que acusa o religioso de propagar preconceitos em pregações e redes sociais.
Segundo o documento, foram reunidos vídeos nos quais o sacerdote utiliza termos como “homossexualismo” e classifica a orientação sexual como “desordem” e “depravação grave”. A denúncia também menciona conteúdos em que o religioso defende a submissão feminina. “Liberdade religiosa não é liberdade para odiar”, argumentou o autor da representação.
Apesar da repercussão, o caso ainda está em fase preliminar. Até o momento, não há confirmação pública de instauração de investigação formal por parte do MPSP, o que significa que a denúncia segue como uma notícia-fato em análise, sem configuração de ação penal ou condenação.
Influência digital amplia repercussão
A dimensão do caso é ampliada pela forte presença digital de Frei Gilson, líder do ministério Som do Monte. O sacerdote reúne milhões de seguidores e costuma atrair grande público em transmissões religiosas, especialmente durante orações realizadas na madrugada.
Recentemente, ele foi destaque no evento católico “Cristo é o Show”, realizado no Mineirão, que reuniu cerca de 75 mil pessoas e bateu recorde de público após a reforma do estádio. Durante sua participação, o religioso conduziu momentos de pregação e apresentação musical.
O histórico de declarações polêmicas também inclui críticas da senadora Soraya Thronicke, que, em abril deste ano, classificou como misógino um discurso do frei sobre o papel das mulheres.
Análise legal e próximos passos
O MPSP deve decidir se o caso será encaminhado para investigação formal, possivelmente por meio do Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (Gecradi). A análise preliminar levará em conta o contexto das falas para determinar se há indícios de crime ou se o caso será arquivado.
Desde 2019, o Supremo Tribunal Federal equipara atos de homofobia e transfobia ao crime de racismo, o que pode influenciar na avaliação jurídica do caso. Em São Paulo, manifestações discriminatórias por orientação sexual também são passíveis de punição com base na legislação estadual.
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