O vereador Cledinaldo Cotócio está entre os agentes políticos atingidos por medidas judiciais relacionadas às investigações da Operação Dirty Pix, que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos e pagamento de vantagens indevidas envolvendo contratos do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia.
A investigação teve início com a apuração de possíveis irregularidades envolvendo cerca de R$ 5,4 milhões destinados à aquisição de uma ressonância magnética e de uma autoclave para o hospital. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), parte dos recursos teria sido desviada e transferida, por meio de Pix, a pessoas ligadas ao esquema e a agentes políticos.
Cledinaldo Cotócio já aparecia entre os vereadores investigados desde a primeira fase da operação. Conforme documentos citados, uma transferência de R$ 25 mil teria sido realizada diretamente para Cledinaldo em outubro de 2022. Os valores e as circunstâncias dessas movimentações são objeto da investigação do Ministério Público.
Investigação envolve vereadores e ex-vereadores
Além de Cledinaldo, a investigação também alcança outros vereadores e ex-vereadores que exerciam mandato na Câmara Municipal durante o período investigado. Entre os nomes citados estão Adavilton Brandão, Izaqueu de Souza Diniz, Cleyton Martins, Ademir Gabardo, Enelvo Felini Júnior, Eliel da Silva Vaz e Cristina Fiuza, esta última atualmente vice-prefeita de Sidrolândia.
Procurado para comentar as medidas e sua citação na investigação, o vereador Adavilton Brandão afirmou que ainda não faria uma manifestação detalhada neste momento.
Segundo ele, um pronunciamento deverá ser realizado nesta quinta-feira (8) para esclarecer os pontos relacionados ao caso.
Adavilton encerrou a conversa dizendo que a situação faz parte do processo e que pretende apresentar os esclarecimentos de forma mais detalhada posteriormente.
Dirty Pix volta a movimentar Sidrolândia
A investigação ganhou novo capítulo nesta quarta-feira (7), com a segunda fase da Operação Dirty Pix. O MPMS cumpriu três mandados de prisão preventiva e 25 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju e Selvíria.

Segundo o Ministério Público, as novas apurações identificaram indícios de que um modelo semelhante teria sido utilizado em outros convênios do hospital. Os valores investigados agora ultrapassam R$ 18 milhões, envolvendo recursos destinados à compra de equipamentos e materiais hospitalares, uma UTI móvel e obras de reforma.
A nova fase resultou na prisão preventiva do diretor-presidente do hospital, Jacob Breure, de uma policial civil e de um assessor parlamentar. As investigações também apontam para possíveis práticas de obstrução e movimentações financeiras destinadas a agentes políticos, articuladores e intermediários.
As acusações ainda estão sob investigação e os envolvidos têm direito à defesa e à presunção de inocência. O afastamento judicial não representa, por si só, uma condenação.


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