domingo , 7 de junho de 2026
Início COTIDIANO Morador de Sidrolândia consegue autorização provisória da Anvisa para tratamento experimental com polilaminina
COTIDIANO

Morador de Sidrolândia consegue autorização provisória da Anvisa para tratamento experimental com polilaminina

Compartilhar
Morador de Sidrolândia consegue autorização provisória da Anvisa para tratamento experimental com polilaminina
Daniel Aparecido Costa dos Santos antes de sofrer o acidente, em 2023. (Foto: Reprodução, Redes Sociais)
Compartilhar

Daniel Aparecido Costa dos Santos, de 32 anos, morador de Sidrolândia, obteve autorização provisória da Anvisa para receber tratamento com polilaminina, medicamento experimental indicado para recuperação de lesões medulares.

A liminar foi concedida no dia 22 de fevereiro, após judicialização conduzida pelo advogado Gabriel Traven Nascimento. Segundo ele, o processo agora segue para a etapa final de autorização junto ao laboratório responsável pelo desenvolvimento da substância. “Estamos solicitando máxima urgência ao laboratório. Esperamos que em no máximo 15 dias tudo seja resolvido para a cirurgia”, afirmou.

Nesta terça-feira (3), Daniel realizou exames de ressonância magnética, considerados a última pendência documental. Os resultados serão encaminhados ao Laboratório Cristália, que fará a análise técnica antes de submeter o caso à avaliação final da Anvisa para definição do procedimento cirúrgico.

Daniel sofreu um trauma raquimedular agudo (TRM) no dia 9 de dezembro de 2025, durante um acidente de trabalho enquanto montava silos para armazenamento de grãos. Uma peça estrutural caiu sobre seu corpo, causando lesão na coluna.

Ele decidiu buscar o tratamento após tomar conhecimento do caso de Luiz Otávio, primeiro paciente de Mato Grosso do Sul a receber a aplicação da substância por decisão judicial.

Judicializações em Mato Grosso do Sul

De acordo com dados do TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), que abrange São Paulo e Mato Grosso do Sul, existem atualmente 12 processos em tramitação com menção à polilaminina — quatro na Seção Judiciária de MS e oito em São Paulo.

Os processos estão distribuídos em diferentes classes processuais, como Procedimento Comum Cível, Tutela Antecipada Antecedente e Juizado Especial Cível. O mais antigo foi protocolado em 28 de dezembro de 2025. Em cinco das ações, há participação da Anvisa e/ou do Laboratório Cristália.

No Estado, a primeira aplicação ocorreu em um militar de 19 anos, vítima de lesão medular cervical, que passou pelo procedimento em hospital de Campo Grande após decisão judicial. O caso teve grande repercussão e impulsionou novos pedidos na Justiça.

O que é a polilaminina?

A polilaminina foi desenvolvida pela bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, pesquisadora da UFRJ, em parceria com o Laboratório Cristália. O medicamento é resultado de cerca de 20 anos de pesquisa e foi produzido a partir da proteína laminina, com o objetivo de estimular a regeneração de conexões nervosas lesionadas na medula espinhal.

Atualmente, o tratamento está no início do Estudo Clínico de Fase I — etapa voltada principalmente para comprovar a segurança da substância em humanos. A aplicação é indicada para pacientes com lesões agudas, preferencialmente dentro de uma janela de até 72 horas após o trauma.

Embora haja possibilidade de uso na fase subaguda (semanas após a lesão), especialistas apontam que quanto maior o tempo decorrido, menor tende a ser a eficácia. Para lesões com mais de 90 dias, consideradas crônicas, ainda não há comprovação de segurança e eficácia em humanos.

Em nota oficial, o laboratório informou que, até o momento, não recomenda o uso do medicamento em pacientes com lesões crônicas, destacando que novos estudos ainda estão em andamento.

Uso compassivo e acesso ao medicamento

A polilaminina está sendo disponibilizada por meio do chamado “uso compassivo”, autorização especial concedida pela Anvisa para pacientes com doenças graves ou sem alternativas terapêuticas, permitindo acesso a medicamentos experimentais.

O protocolo prevê dose única aplicada diretamente na área da lesão medular durante procedimento cirúrgico, associada a um processo intensivo de reabilitação com equipe multidisciplinar.

O acesso ao medicamento só pode ser feito pelos canais oficiais do Laboratório Cristália. O produto não está à venda, e qualquer cobrança é considerada ilegal. Nesta fase inicial, todas as despesas relacionadas ao acesso e aplicação são custeadas pelo laboratório.

Enquanto aguarda a análise final e possível autorização definitiva, Daniel mantém a expectativa de realizar a cirurgia nas próximas semanas, na esperança de recuperar parte dos movimentos comprometidos pelo acidente.

Gosta do Portal TVPlanalto? Então acompanhe nossas redes sociais no Instagram @tvplanaltoplay e o Facebook @portal.tvplanalto. Tem alguma pauta ou denúncia para sugerir? Manda nas nossas redes sociais ou direto no Whatsapp (67) 9907-5999
Compartilhar

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Explorar mais

Matérias realcionadas
Conta de luz seguirá mais cara com manutenção da bandeira amarela
COTIDIANO

Conta de luz seguirá mais cara com manutenção da bandeira amarela

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) manteve a bandeira tarifária amarela...

Tilápia na lista de ‘invasores’ preocupa setor que move R$ 54,2 milhões em MS
COTIDIANO

Tilápia na lista de ‘invasores’ preocupa setor que move R$ 54,2 milhões em MS

A Conabio (Comissão Nacional de Biodiversidade) analisa a inclusão da tilápia na...

Prazo para pagar última parcela do IPVA 2026 termina nesta semana
COTIDIANO

Prazo para pagar última parcela do IPVA 2026 termina nesta semana

Proprietários de veículos em Mato Grosso do Sul têm prazo limite para...

Frio intenso provocou morte de 83 bovinos no sul de Mato Grosso do Sul
COTIDIANO

Frio intenso provocou morte de 83 bovinos no sul de Mato Grosso do Sul

Cinco propriedades rurais do sul de Mato Grosso do Sul notificaram a...

--:--
--:--
  • cover
    CIDADE 98.5 FM