O vereador Nilton Júnior, do PSDB, está sendo investigado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) por suspeita de possível prática de nepotismo na Câmara Municipal de Miranda. O alvo da apuração é a nomeação do pai do parlamentar, o ex-vereador Nilton Rodrigues Medeiros, para o cargo de secretário-legislativo da Casa de Leis.
Segundo informações do Portal da Transparência, o servidor recebe salário-base de R$ 6.518,01, além de uma gratificação de R$ 3.259,01, totalizando quase R$ 10 mil mensais. A investigação aponta ainda que o cargo ocupado não possui descrição formal de atribuições na legislação que o criou.
A promotora Talita Zoccolaro questionou a presidência da Câmara sobre as funções exercidas pelo servidor. Em resposta, o presidente do Legislativo, Michel Roger Freddi, afirmou que o cargo não está subordinado a nenhum gabinete parlamentar e que Nilton Medeiros possui “capacidade pública notória” para exercer a função.
No entanto, o próprio presidente admitiu que a Resolução nº 772/2019, responsável pela criação do cargo de secretário-legislativo, não detalha oficialmente quais seriam as atribuições da função.
“O Ato Normativo que criou o Cargo em Comissão de Secretário Legislativo não descreveu as atribuições do referido cargo”, informou Michel Freddi ao Ministério Público.
Mesmo sem detalhamento formal, a Câmara informou que as atividades exercidas pelo servidor incluem organização de documentos, leis e coleta de assinaturas.
A investigação também revelou que Nilton Medeiros foi nomeado logo após o filho assumir o mandato como vereador, no início de 2025. O ex-parlamentar encerrou seu mandato em 2024 e passou o bastão político ao filho, conhecido como “Juninho”, eleito com 745 votos.
Vereador nega irregularidade
Ao comentar o caso, Nilton Júnior afirmou não enxergar ilegalidade ou imoralidade na nomeação do pai.
“Eu não fui quem nomeei. Ele não é um funcionário meu. Não sou presidente da Câmara e não faço parte da Mesa Diretora”, declarou o parlamentar, reforçando que a decisão partiu exclusivamente da presidência da Casa.
O vereador também defendeu a qualificação do pai para o cargo.
“Inclusive, é difícil achar uma pessoa com esses requisitos para colocar lá”, afirmou.
Já o presidente da Câmara, Michel Roger Freddi, disse que o caso está sendo tratado pelo setor jurídico do Legislativo e informou já ter prestado esclarecimentos ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado.
O ex-vereador Nilton Rodrigues Medeiros não respondeu aos contatos da imprensa. O espaço segue aberto para manifestação.
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