Pequeno besouro ataca diretamente os frutos e monitoramento contínuo, aliado a boas práticas de manejo integrado, é a principal arma dos produtores para conter o avanço da praga nas plantações brasileiras.
Uma das principais ameaças à cafeicultura nacional, a broca-do-café continua exigindo atenção máxima dos produtores. De acordo com especialistas do setor, o impacto da praga vai muito além do aspecto visual das plantas: ela compromete diretamente o desenvolvimento da cultura e, em casos de grande infestação, pode provocar uma redução de até 80% na produção total das propriedades afetadas.
A engenheira agrônoma Fernanda Duarte explica que o inseto causador do estrago é um coleóptero — um besouro de pequenas dimensões que ataca o café em sua fase mais crítica. O inseto perfura a coroa do fruto para depositar seus ovos. O maior prejuízo ocorre quando as larvas nascem, pois elas se alimentam do interior do grão. Esse processo destrói o produto final e destrona a qualidade do café que chega ao mercado.
Clima não é barreira
Diferente de outras pragas que encontram restrições em determinadas condições meteorológicas, a broca-do-café não escolhe região. A especialista destaca que o inseto atinge todas as áreas produtoras do país, independentemente do clima local.
Diante disso, o fator decisivo para manter a lavoura protegida está na qualidade dos tratos culturais. Lavouras onde há o cuidado de não deixar restos de café nas plantas ou caídos no chão — o chamado café de varrição — apresentam uma população significativamente menor do inseto. A limpeza rigorosa elimina as fontes de abrigo e reprodução do besouro.
Estratégias de manejo e controle
Para combater o avanço da praga, o monitoramento constante da área é apontado como o pilar fundamental. Agrônomos recomendam que o controle químico preventivo seja iniciado logo no momento da migração do inseto, evitando que ele se instale nos frutos novos.
O Manejo Integrado de Pragas (MIP) ideal combina diferentes frentes de ação:
- Colheita completa e eficiente para não deixar alimento disponível.
- Varrição minuciosa do solo após a colheita.
- Destruição de lavouras abandonadas nas proximidades, que servem de foco de infestação.
- Uso combinado de soluções, integrando defensivos químicos com produtos biológicos para garantir uma proteção mais sustentável e duradoura.
- Imagem:Internet
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