Um homem de 31 anos, conhecido pelo apelido de “Cabeça Gorda”, que foi alvo de uma tentativa de homicídio na tarde de quarta-feira (12), no Bairro Pindorama, em Sidrolândia, a 71 quilômetros de Campo Grande, já era apontado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) como um dos líderes de uma organização criminosa que atuava no município.
Segundo denúncia apresentada pelo MPMS, mesmo custodiado no sistema prisional, “Cabeça Gorda” teria continuado a comandar o tráfico de drogas e a determinar punições violentas contra pessoas consideradas traidoras pelo grupo.
Um dos episódios descritos na acusação ocorreu na noite de 8 de julho de 2024, na zona rural de Sidrolândia, e terminou de forma diferente do planejado pelos criminosos: a vítima conseguiu escapar do porta-malas de um carro antes de ser executada.
“Sentença de morte” por videochamada
Conforme a denúncia, “Cabeça Gorda” fazia parte de uma organização criminosa formada por oito pessoas, entre elas duas mulheres — uma delas sua companheira. Entre os integrantes estariam ainda os comparsas conhecidos como “Goiano” e “Mandela”.

A vítima, apelidada de “Maranhão”, teria sido acusada pela facção de repassar informações sobre as atividades do grupo às autoridades policiais.
Para realizar o chamado “julgamento”, “Goiano” teria atraído Maranhão até a residência da companheira de “Cabeça Gorda”. No local, os criminosos fizeram uma videochamada com o líder, que estava preso.
Segundo o MPMS, utilizando informações de um interrogatório policial, o presidiário teria questionado a vítima por meio dos comparsas e, ao final, determinado sua execução.
Logo depois, “Goiano” teria usado um revólver calibre .38 para atingir Maranhão com uma coronhada na cabeça. Outros integrantes amarraram os pés e as mãos da vítima, além de amordaçá-la.
Mesmo após tentar reagir, Maranhão teria recebido novos golpes na região da nuca até perder a consciência.
Colocado no porta-malas para ser executado
Com a vítima desacordada, os criminosos a colocaram no porta-malas de um Corsa preto e seguiram em direção à zona rural, nas proximidades da Fazenda “Boa Sorte”.
O plano, porém, acabou frustrado.
Durante o trajeto, Maranhão recuperou a consciência e conseguiu se livrar das amarras. Quando o veículo parou e o porta-malas foi aberto, ele aproveitou a oportunidade para saltar do carro e correr em direção à vegetação.
O homem conseguiu chegar até uma propriedade vizinha, onde pediu socorro e escapou da execução.
O MPMS denunciou os envolvidos por crimes relacionados à integração e promoção de organização criminosa, além de tentativa de homicídio qualificado, por motivo torpe e pelo uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima.
O caso ainda não foi julgado.
Um ano depois, o alvo virou vítima
O nome de “Cabeça Gorda” voltou a aparecer no noticiário nesta quarta-feira (12), quando ele próprio foi alvo de uma tentativa de homicídio no Bairro Pindorama, em Sidrolândia.
De acordo com o boletim da Polícia Militar, o homem estava na casa da namorada quando um homem e uma mulher chegaram de motocicleta, chamaram por ele e, assim que saiu para verificar quem estava no portão, efetuaram diversos disparos.
Durante o ataque, a arma utilizada pelo atirador teria apresentado uma pane. Segundo o registro policial, a mulher então teria entregado a própria arma para que o comparsa continuasse os disparos.
Mesmo ferido, “Cabeça Gorda” conseguiu fugir e buscou ajuda. Ele pegou uma motocicleta que estava nas proximidades e seguiu sozinho até o Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa.
Reconhecimento levou a prisões
No hospital, os médicos identificaram ferimentos provocados por arma de fogo no lado direito do abdômen, com entrada pela parte frontal e saída pelas costas. Ele também foi atingido no antebraço esquerdo, onde o projétil ficou alojado.
Mesmo ferido, o homem estava consciente e orientado e contou aos policiais que reconheceu a mulher envolvida no ataque, identificada pelo apelido de “Samarão”.
A partir das informações repassadas pela vítima, equipes da Polícia Militar iniciaram buscas pelos suspeitos.
Durante a operação, policiais localizaram um Volkswagen Gol branco na Rua Evaristo Anziliero, na Vila Tereré. No veículo estavam Samara, Westlley e outras pessoas, além do motorista.

Conforme o boletim, no momento em que Westlley desembarcou, ele teria jogado no chão um revólver calibre .38 com cinco munições intactas e numeração suprimida.
Na bagagem dos suspeitos também foram encontradas três munições calibre .38, 20 munições calibre .380 e dois carregadores de pistola.
Samara e Westlley foram presos. Segundo o registro policial, Westlley confessou ter efetuado os disparos contra “Cabeça Gorda”, enquanto Samara teria admitido que pilotava a motocicleta utilizada no ataque e auxiliou na fuga.
Ela também teria indicado aos policiais onde a motocicleta havia sido abandonada e onde estavam o casaco preto e o capacete usados durante a ação.
Histórico criminal
Conforme informações apuradas pelo Campo Grande News, “Cabeça Gorda” possui passagens por posse ou porte ilegal de arma de fogo, ameaça, violência doméstica e tráfico de drogas.
Agora, o homem que, segundo a denúncia do MPMS, teria ordenado uma execução a partir de uma cela prisional, tornou-se ele próprio alvo de uma tentativa de homicídio — uma trama que reúne facção criminosa, julgamento clandestino, sentença de morte por videochamada e uma fuga inesperada do porta-malas.
Apesar das acusações, “Cabeça Gorda” e os demais denunciados ainda não foram julgados pelos fatos narrados pelo Ministério Público e, portanto, devem ser considerados inocentes até eventual condenação definitiva.
*Com informações jornal Campo Grande News*

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