Dados divulgados pelo Observatório do Turismo e Eventos de Bonito (OTEB) apontam que o município recebeu 127.078 turistas entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2026. O volume representa uma retratação de 11,04% em comparação ao mesmo período de 2025, quando a cidade registrou 142.854 visitantes — marca que havia se consolidado como o melhor primeiro semestre dos últimos dez anos.
A diminuição do movimento refletiu-se também nos passeios e na rede hoteleira local. Os atrativos turísticos registraram 402.515 visitações no semestre, uma queda de 7,98% em relação às 437.447 do ano anterior. No mês de junho, a taxa de ocupação dos hotéis fechou em 28%, enquanto o ponto turístico mais famoso da região, a Gruta do Lago Azul, registrou 45% de ocupação.
Retração e o efeito da Taxa Ambiental
A queda nos indicadores coincide com o primeiro semestre de aplicação efetiva da Taxa de Conservação Ambiental (TCA). Em vigor desde 20 de dezembro de 2025, a cobrança fixa o valor de R$ 15 por dia, por pessoa, para visitantes nacionais e estrangeiros. Segundo a gestão municipal, a arrecadação destina-se a investimentos em infraestrutura, monitoramento e conservação ecológica diante da alta demanda de ecoturismo.
Apesar da coincidência temporal, especialistas e gestores descartam a taxa como causa central da diminuição do fluxo. Em entrevista ao Correio do Estado, o diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS), Bruno Wendling, destacou que a oscilação entre 5% e 10% é comum no setor e acompanha fatores econômicos nacionais.
“A gente não pode atribuir a queda do primeiro semestre desse ano com o ano passado por conta da taxa de turismo. Ela pode ter algum impacto mais para o público sul-mato-grossense, mas para o público nacional não, tanto que os dados mostram um crescimento muito alto do fluxo aéreo de desembarques em Bonito, em relação ao ano passado”, explicou Wendling.
O diretor pontuou ainda que destinos consolidados de ecoturismo — como Fernando de Noronha (PE) — registraram variações similares no mesmo período, e que o turista proveniente do modal aéreo costuma apresentar maior tempo de permanência e gasto médio superior.
Perfil dos visitantes
O levantamento do OTEB traçou a procedência do público que esteve em Bonito nos seis primeiros meses do ano:
Origem Nacional (por região)
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Sudeste: 48,26% (São Paulo lidera com 29,51%; Rio de Janeiro soma 6,43%)
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Centro-Oeste: 24,14% (Mato Grosso do Sul representa 18,18%)
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Sul: 21,96% (Paraná com 7,82%; Rio Grande do Sul com 5,75%)
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Nordeste: 4,51%
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Norte: 1,13%
Origem Internacional
Entre os turistas estrangeiros, o fluxo foi liderado por vizinhos da América do Sul e viajantes europeus e norte-americanos:
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Paraguai: 4,94%
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Argentina: 0,89%
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Holanda: 0,77%
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Alemanha: 0,74%
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Estados Unidos: 0,72%
Estratégias de conversão e recuperação
Para reverter a tendência de baixa no segundo semestre, a Fundtur-MS planeja focar em ações de incentivo de vendas e parcerias estratégicas. O diagnóstico interno apontou que a procura pela cidade se manteve alta em plataformas de busca, mas a conversão efetiva em pacotes turísticos diminuiu.
“A procura por Bonito cresceu muito em relação ao ano passado, mas a conversão para vendas não acompanha esse crescimento. Tem uma série de fatores que estamos analisando, como ações cooperadas com operadoras online e offline para incentivar o reforço de vendas e auxiliar na recuperação desse fluxo”, concluiu Wendling.
Medidas similares de tarifação diária ecológica já são adotadas por outros polos turísticos brasileiros com foco em sustentabilidade, como Jericoacoara (CE), Fernando de Noronha (PE), Bombinhas (SC), Morro de São Paulo (BA), Ilhabela (SP) e Ubatuba (SP).


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