A denúncia da Operação Tromper ganhou novos capítulos em Sidrolândia. O Ministério Público Estadual (MPE) anexou mais 1.150 páginas ao processo que investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos públicos destinados ao Cemitério Municipal São Sebastião. Com a inclusão dos novos documentos, a ação civil pública chegou a 4.450 páginas.
O principal alvo da denúncia é Cláudio Jordão de Almeida Filho, conhecido como Claudinho Serra (PSDB), ex-secretário municipal de Fazenda e ex-vereador de Campo Grande. Segundo o MPE, ele teria atuado como mentor e coordenador de um esquema que direcionava licitações e contratos públicos em benefício de uma empresa específica.
A ampliação da denúncia ocorreu após determinação do juiz Daniel Raymundo da Matta, da 2ª Vara Cível, que exigiu do Ministério Público a individualização das condutas atribuídas a cada investigado. O magistrado apontou que a peça inicial apresentava uma narrativa ampla, mas sem delimitar de forma precisa a participação de cada acusado.
De acordo com a promotora Bianka Mendes, responsável pela emenda à ação, as irregularidades envolvem contratos que somam R$ 598 mil, realizados por meio de carta-convite, pregão presencial e dispensa de licitação para serviços executados no cemitério municipal. O MPE pede ainda o ressarcimento de R$ 40,4 mil aos cofres públicos.
Claudinho é apontado como líder do esquema
Segundo a denúncia, Claudinho Serra teria coordenado a criação da empresa JL Serviços Empresariais e Comércio Alimentício LTDA logo após assumir o cargo público. A investigação sustenta que a empresa foi constituída para receber contratos direcionados pela administração municipal.
Ainda conforme o Ministério Público, o ex-secretário teria orientado empresários e servidores públicos sobre os procedimentos necessários para garantir a vitória da empresa nos certames. A JL Serviços firmou seu primeiro contrato com a Prefeitura de Sidrolândia apenas 90 dias após sua criação.
A promotoria também afirma que Claudinho participou da elaboração das demandas que resultaram nas contratações investigadas, assinou notas de empenho e ordens de pagamento e teria obtido vantagem econômica decorrente das supostas fraudes.
Outros cinco denunciados
Além de Claudinho Serra, outras cinco pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público:
- Carmo Name Júnior, apontado como responsável por operacionalizar determinações do ex-secretário e atestar notas fiscais para viabilizar pagamentos;
- Ricardo José Rocamora Alves, acusado de atuar diretamente no direcionamento de um dos pregões investigados;
- Ueverton da Silva Macedo, conhecido como “Frescura”, apontado como intermediário entre agentes públicos e empresários interessados;
- Marcus Rossettini de Andrade Costa, então diretor do Setor de Licitações, acusado de compartilhar informações sigilosas e prestar suporte técnico ao grupo;
- Jacqueline Mendonça Leiria, proprietária formal da empresa JL Serviços, que, segundo a denúncia, teria atuado em alinhamento com os interesses do grupo investigado.
Caso segue em análise
Com a complementação da denúncia e a apresentação detalhada das atribuições de cada investigado, o processo segue em tramitação na Justiça. Caberá ao Judiciário analisar os elementos apresentados pelo Ministério Público e decidir sobre o prosseguimento da ação e as responsabilidades dos envolvidos.
Os denunciados terão direito à ampla defesa e ao contraditório durante o andamento do processo.
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