A Petrobras anunciou nesta quinta-feira (28) um reajuste de R$ 0,48 no litro da gasolina A vendida às distribuidoras. O novo valor entra em vigor a partir desta sexta-feira (29), em meio à pressão internacional provocada pela guerra no Irã e à tentativa do governo federal de conter os impactos nos preços dos combustíveis.
Apesar do aumento anunciado, a estatal informou que haverá um desconto de R$ 0,44 por litro graças à subvenção econômica criada pelo governo federal. Segundo a Petrobras, a medida deve reduzir significativamente o impacto para os consumidores, resultando em um acréscimo máximo estimado de apenas R$ 0,03 no litro da gasolina vendida nos postos.
A compensação financeira está prevista na Medida Provisória nº 1.358, publicada em 13 de maio de 2026, além do decreto nº 12.984 e da portaria do Ministério da Fazenda nº 1.496. O desconto corresponde aos tributos federais PIS, Cofins e Cide incidentes sobre o combustível.
Com o reajuste e a compensação tributária, o preço médio da gasolina A para as distribuidoras passará de R$ 2,57 para R$ 2,61 por litro, segundo a Petrobras.
“A parcela da Petrobras na composição do preço final passará dos atuais R$ 1,80 para R$ 1,83 por litro, um aumento residual de no máximo R$ 0,03 a cada litro de gasolina C vendida nas bombas”, informou a estatal em comunicado.
A gasolina comercializada diretamente ao consumidor é a gasolina C, composta por 70% de gasolina A e 30% de etanol anidro, o que ajuda a reduzir o impacto do reajuste integral anunciado às distribuidoras.
Governo tenta conter efeitos da guerra no Irã
O aumento ocorre poucos dias após o governo federal anunciar a criação de uma subvenção que pode chegar a R$ 0,89 por litro da gasolina. A medida tem como objetivo amenizar os efeitos da alta do petróleo no mercado internacional, agravada pelo conflito no Oriente Médio.
As estimativas do governo apontam que cada R$ 0,10 de subvenção no litro da gasolina representa um custo mensal de aproximadamente R$ 272 milhões aos cofres públicos.
Com os valores iniciais previstos para gasolina e diesel, o custo mensal pode variar entre:
- R$ 1 bilhão e R$ 1,2 bilhão para a gasolina;
- Cerca de R$ 1,7 bilhão para o diesel.
O governo sustenta que os gastos serão compensados pelo aumento da arrecadação com royalties e dividendos da União provenientes da valorização do petróleo.
Petrobras já sinalizava reajuste
O aumento já havia sido antecipado pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante teleconferência com analistas realizada no último dia 12.
Na ocasião, Chambriard afirmou que o reajuste aconteceria “já, já” e explicou que a decisão considerava principalmente a variação do preço do etanol no mercado brasileiro.
Ela também destacou que a Petrobras vinha trabalhando em conjunto com o governo federal para reduzir os impactos da alta dos combustíveis.
Histórico recente aponta quedas anteriores
Antes do reajuste anunciado nesta semana, as duas últimas mudanças no preço da gasolina haviam sido de redução.
Em janeiro deste ano, a Petrobras diminuiu o preço do litro em R$ 0,14, equivalente a uma queda de 5,2%. Já em outubro de 2025, a estatal também havia reduzido o valor em R$ 0,14 por litro.
Segundo a empresa, desde dezembro de 2022 os preços da gasolina para distribuidoras acumulam redução de R$ 0,50 por litro, o que representa queda real de 26,9% considerando a inflação do período.
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